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7 de junho de 2026  ·  Dermatologia

Pelos Encravados no Rosto e no Corpo: Como Tratar e Como Evitar

pelos encravados depilação

Um pêlo encravado é um pêlo que, em vez de sair da pele, fica preso por baixo — e o corpo reage a ele como reagiria a uma farpa. Daí o resultado que toda a gente conhece: um alto vermelho, duro, que dói ou faz comichão, muitas vezes com o pêlo enrolado a ver-se lá dentro.

Aparece sobretudo em quem se barbeia ou depila com regularidade, e sobretudo em quem tem o pêlo encaracolado. Nos homens, o sítio clássico é o pescoço e a linha da barba — e a esse quadro dá-se um nome próprio, pseudofoliculite da barba, que quer dizer exactamente isto: parece uma infecção do poro, mas não é. É uma inflamação provocada pelo barbear.

Não é só um problema estético. Cada episódio deixa uma mancha escura que demora meses a sair, e as lesões repetidas — sobretudo em peles mais escuras, e sobretudo em quem espreme — deixam cicatriz permanente.

Este artigo explica porque é que os pelos encravam, o que fazer quando já lá está um, como mudar a técnica de barbear e depilar para não voltarem, e quando é que vale a pena resolver o assunto de vez.

Índice

Porque é que os pelos encravamQuem encrava maisQue aspecto temBarba, virilha, pernas: o que mudaComo se confirmaO que fazer quando já lá estáBarbear e depilar sem encravarEsfoliação e retinoidesResolver de vez: laser e electróliseO que corre mal quando se insisteQuando consultarPerguntas Frequentes

Porque é que os pelos encravam

Há duas formas de isto acontecer, e muitas vezes acontecem as duas ao mesmo tempo:

  • O pêlo sai e volta a entrar. É o que acontece quando se corta o pêlo muito rente: ele fica com a ponta em bico, e, sendo encaracolado, curva à medida que cresce e espeta-se outra vez na pele, um pouco ao lado do sítio de onde saiu. É a forma típica da barba.
  • O pêlo nunca chega a sair. O poro está tapado por células mortas ou por uma casquinha, e o pêlo cresce enrolado lá dentro. É a forma típica das pernas, das virilhas e de quem depila com cera.

Em qualquer dos casos, o corpo trata o pêlo como um corpo estranho e monta uma reacção inflamatória à volta dele. É essa reacção — e não uma infecção — que faz o alto vermelho e a dor. Pode até formar-se uma bolinha de pus sem haver bactéria nenhuma.

Isto distingue-se de uma infecção verdadeira do poro, em que há pus abundante, várias lesões que se juntam e a pele fica quente e progressivamente mais vermelha. Essa é outra coisa, precisa de tratamento próprio, e está explicada em foliculite.

Quem encrava mais

  • Quem tem pêlo encaracolado — é de longe o factor mais forte, porque um pêlo curvo tem muito mais probabilidade de voltar a espetar-se na pele. Na barba, é o quadro clássico em homens de ascendência africana.
  • Quem tem pele mais escura — não encrava necessariamente mais, mas paga mais caro: as manchas escuras que ficam são mais intensas e mais duradouras, e o risco de cicatriz sobre-elevada no pescoço e na mandíbula é real. Ver fototipo.
  • Quem se barbeia todos os dias, rente, contra o sentido do pêlo, com lâmina gasta ou com aparelhos de várias lâminas.
  • Quem depila com cera ou pinça — o pêlo parte-se abaixo da superfície e cresce às cegas.
  • Quem tem a pele com tendência a poros tapados, com aspereza e casquinhas.
  • Quem usa roupa apertada ou sintética sobre a zona depilada, sobretudo na virilha.
  • Quem transpira muito e passa horas com a pele abafada.
  • Mulheres com pêlo em zonas de padrão masculino — aí, além de tratar a pele, importa perceber a causa hormonal.

Que aspecto tem

  • Altos firmes e vermelhos, que doem ou fazem comichão, muitas vezes com o pêlo visível em laçada por baixo da pele
  • Bolinhas de pus que, aqui, costumam ser estéreis — não são sinal de infecção
  • Manchas castanhas onde estiveram as lesões, que demoram semanas a meses a clarear. É a queixa que mais incomoda a longo prazo. Ver hiperpigmentação
  • Cicatrizes — em depressão ou sobre-elevadas — em quem tem lesões repetidas e mexe nelas
  • Na nuca e na mandíbula, em casos arrastados, caroços duros e persistentes que já não desaparecem sozinhos

O que faz duvidar do diagnóstico: pus abundante, febre, vermelhidão a alastrar e dor latejante apontam para infecção; cravos na cara, peito e costas apontam para acne; caroços fundos e recorrentes nas axilas e virilhas, com trajectos que drenam, são outra doença e merecem avaliação.

Barba, virilha, pernas: o que muda

  • Barba e pescoço — o quadro clássico, em homens. Concentra-se no pescoço, sob a mandíbula e no queixo. Tem relação directa com o barbear: parar de barbear algumas semanas costuma resolver quase tudo, o que é ao mesmo tempo a melhor prova do diagnóstico e a medida menos praticável para quem tem de se apresentar barbeado.
  • Virilha e linha do biquíni — em mulheres e homens. Junta-se tudo: lâmina ou cera, fricção da roupa, humidade e calor.
  • Pernas — sobretudo em mulheres, com lâmina ou cera. Dá pontinhos dispersos e um aspecto às manchinhas que fica muito depois de o pêlo já ter saído.
  • Axilas — menos frequente.
  • Nuca — em homens jovens, sobretudo com pêlo muito encaracolado, pode instalar-se um quadro persistente com caroços que exigem tratamento médico e que quanto mais cedo se abordarem, melhor.
  • Peito e costas, em quem depila estas zonas.

Como se confirma

Quase sempre só de olhar, e vale a pena dizê-lo para poupar exames: o diagnóstico é clínico. O médico pergunta como e com que frequência se barbeia ou depila, vê a distribuição das lesões — que coincide sempre com a zona onde se tira o pêlo — e, em caso de dúvida, usa uma lupa iluminada para ver o pêlo a entrar de novo na pele.

Análises ou biópsia só em casos atípicos, que não melhoram, ou com suspeita de outra doença de pele. Nas mulheres com pêlo em excesso na cara ou no corpo, faz sentido investigar a causa hormonal — o que já é assunto diferente deste.

O que fazer quando já lá está

O objectivo é libertar o pêlo, acalmar a inflamação e evitar a mancha e a cicatriz — por esta ordem.

  • Parar de tirar o pêlo naquela zona, nem que seja alguns dias. É a medida mais eficaz e a que menos gente faz.
  • Compressas mornas, várias vezes ao dia, para amolecer a pele e ajudar o pêlo a sair.
  • Libertar o pêlo, e só quando ele está claramente visível em laçada logo por baixo da superfície: com material esterilizado, levanta-se a laçada e solta-se a ponta. Não se corta, não se arranca e não se espreme. Se não se vê o pêlo, não se mexe.
  • Um creme anti-inflamatório em ciclo curto, prescrito — habitualmente um corticoide de potência baixa na cara, ou, em zonas de prega como as virilhas, um imunomodulador tópico (pomada de tacrolímus ou creme de pimecrolímus), que evita o uso repetido de corticoide numa pele fina.
  • Lavagem com um antisséptico ou com peróxido de benzoílo nas zonas com bolinhas de pus.
  • Antibiótico — só quando há mesmo infecção associada, aplicado na pele; por via oral apenas em casos extensos e por decisão médica.

E o mais importante, porque é onde quase toda a gente falha: não usar a pinça para arrancar o pêlo. Arrancar parte-o abaixo da superfície e garante que o próximo encrava. Mexer repetidamente é o que transforma um alto de uma semana numa mancha de meses ou numa cicatriz permanente.

Barbear e depilar sem encravar

É aqui que se ganha o jogo. A técnica pesa mais do que qualquer produto.

A barbear:

  • Amolecer o pêlo primeiro, com água morna, uns minutos antes
  • Lâmina única, ou navalha. Os aparelhos de várias lâminas cortam abaixo da superfície da pele — que é exactamente o que não se quer
  • Gel ou espuma, deixando actuar um pouco
  • Barbear no sentido em que o pêlo cresce, nunca contra
  • Não esticar a pele e passar só uma vez em cada zona; o barbear rente é o inimigo
  • Trocar de lâmina com frequência — lâmina gasta puxa em vez de cortar
  • Água fria no fim e um pós-barba calmante sem álcool

A depilar o corpo:

  • Virilha e biquíni: lâmina única no sentido do crescimento, ou resolver de vez com laser
  • Cera: em centro especializado, com a pele esfoliada uns dias antes — nunca no próprio dia
  • Cremes depilatórios: alternativa razoável em pele sensível, testando primeiro numa zona pequena
  • Não andar a arrancar pelos com a pinça para “limpar”
MétodoRisco de encravarNota
Lâmina única, no sentido do pêloBaixo a moderadoPrimeira escolha na barba
Aparelho de várias lâminasAltoA evitar por quem encrava
NavalhaBaixo, mas exige práticaBoa opção depois de aprender
CeraModerado a alto, sobretudo na virilhaSó com esfoliação regular entre sessões
PinçaAltoSó para correcções pontuais
Creme depilatórioBaixo a moderadoAlternativa em pele sensível
LaserResolve o problemaOpção para quem já tem lesões repetidas
ElectróliseResolve, pêlo a pêloÁreas pequenas e pelos claros

Esfoliação e retinoides

Com a técnica corrigida, o passo seguinte é manter o poro desobstruído, para que o pêlo tenha por onde sair.

  • Ácido salicílico — entra bem no poro e é o mais útil deste grupo. Aplica-se algumas vezes por semana, em loção ou tónico, e não no dia em que se tira o pêlo.
  • Ácido glicólico, a alternar, e ureia nas loções de corpo, sobretudo se a pele das pernas estiver áspera.
  • Peelings feitos em consultório, em séries, nos casos que se arrastam.
  • Retinoides à noite — reduzem a camada de células que tapa o poro, ajudam a apagar as manchas e são dos melhores tratamentos preventivos que existem aqui. Começa-se devagar, porque irritam ao início. Ver retinol e retinoides. Obrigam a protector solar de dia.

Uma nota de método: esfoliar não é esfregar. Esponjas, luvas e esfoliantes de grão agridem a pele e agravam a inflamação. Aqui, esfoliação quer dizer químico, suave e regular.

Há ainda um creme que reduz a velocidade de crescimento do pêlo da cara na mulher — a eflornitina. Aparece frequentemente em sites estrangeiros, por isso vale a pena saber que não está disponível em Portugal.

Resolver de vez: laser e electrólise

Quando as lesões são repetidas, deixam marcas, ou quando a profissão obriga a andar barbeado, a solução definitiva é deixar de ter pêlo naquela zona. Sem pêlo, não há nada para encravar.

O laser funciona porque o feixe é absorvido pelo pigmento do pêlo e destrói a raiz. Daí decorrem três coisas práticas:

  • Resulta melhor em pêlo escuro sobre pele mais clara. Em pêlo branco, loiro ou ruivo há pouco pigmento para absorver a luz, e o resultado é fraco.
  • Nem todos os aparelhos servem para todas as peles. Há um tipo de laser — o chamado Nd:YAG — que atinge a raiz em profundidade sendo pouco absorvido pelo pigmento da própria pele: é o mais seguro em peles escuras, precisamente as que mais sofrem com pelos encravados. Usar o aparelho errado numa pele escura é como se queima ou se mancha a pele.
  • São precisas várias sessões, espaçadas, porque só se apanha o pêlo que está numa certa fase de crescimento.

Antes de marcar: nada de sol nas semanas anteriores e seguintes, protector solar obrigatório e nada de cera nem de pinça antes das sessões — a raiz tem de estar lá para o laser a encontrar, por isso só se corta com lâmina. Os retinoides suspendem-se uns dias antes e depois, e há medicamentos que obrigam a esperar.

A electrólise trata pêlo a pêlo, com uma agulha. É mais demorada e mais desconfortável, mas é a opção para pelos claros, que o laser não apanha, e para acabar os que sobram no fim de um tratamento a laser.

O que corre mal quando se insiste

  • Manchas escuras — a complicação mais frequente, e a mais demorada a resolver. Trata-se com retinoides, ácido azelaico, niacinamida e protecção solar rigorosa, e demora meses a sair. Detalhe em hiperpigmentação.
  • Cicatrizes em depressão, em quem espremeu. Tratam-se, mas nunca voltam a ficar como antes.
  • Cicatrizes sobre-elevadas na mandíbula, no pescoço e no tórax, sobretudo em peles escuras. São difíceis de tratar e quanto mais cedo se intervier, melhor — este é o motivo mais forte para não deixar arrastar. Ver quelóide.
  • Infecção verdadeira por cima da inflamação, quando se manipula com as mãos ou com material não esterilizado.
  • Os caroços persistentes da nuca, que começam como pelos encravados repetidos e se tornam um problema por direito próprio.

Quando consultar

  • Pelos encravados que voltam sempre, apesar de já ter corrigido a técnica
  • Lesões dolorosas, com pus ou a alastrar
  • Manchas escuras extensas ou que não saem
  • Cicatrizes a formar-se, em depressão ou sobre-elevadas — sozinho, é motivo suficiente
  • Quadro que interfere com o trabalho, sobretudo em profissões que obrigam a andar barbeado
  • Dúvida entre pêlo encravado e infecção
  • Mulheres com pêlo a mais na cara ou no corpo, para investigar a causa
  • Vontade de resolver o assunto de vez e saber se é candidato a laser

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Perguntas Frequentes

Saem-me dois pelos do mesmo sítio. É um pêlo encravado?

Quase de certeza que não. Sair mais do que um pêlo do mesmo poro é normal e acontece a toda a gente — os folículos organizam-se em pequenos grupos, e é por isso que, se olhar para o braço, vai ver poros com um pêlo, outros com dois ou três. Não é doença nem precisa de tratamento. O que é diferente é o pêlo que volta a entrar na pele e faz uma laçada: aí vêem-se as duas pontas do mesmo pêlo à superfície, com um alto vermelho por baixo, e isso sim é um pêlo encravado.

Cera ou lâmina — qual encrava menos?

Depende da zona. Na barba, a lâmina única no sentido do crescimento é geralmente melhor. No corpo, a cera dura mais tempo, mas encrava mais em quem tem pêlo encaracolado e não esfolia. O que é mau em todas as zonas são os aparelhos de várias lâminas e a pinça. Se o problema é recorrente, a resposta que resolve mesmo é o laser.

Posso furar com uma agulha?

Só quando o pêlo está claramente à vista em laçada logo por baixo da pele, e com material esterilizado — e o objectivo é libertar a ponta, não arrancar nem espremer. Se não se vê o pêlo, ou se há pus, não se mexe: dá infecção, mancha e cicatriz. Furar às cegas é a forma mais rápida de transformar um problema de dias num problema de meses.

A depilação a laser dói?

Descreve-se como uma picada quente, tipo elástico a estalar na pele. Os aparelhos actuais têm arrefecimento incorporado, o que ajuda bastante. As zonas mais sensíveis são o lábio superior, a virilha e as axilas, e pode usar-se um creme anestésico antes. O laser mais seguro para peles escuras é também o que se sente mais, por atingir mais fundo.

O que faço depois de uma sessão de laser?

É normal a pele ficar vermelha e ligeiramente inchada à volta de cada poro durante um dia ou dois. Compressas frias, creme calmante, evitar calor (sauna, banhos muito quentes, treino intenso) nas primeiras horas, suspender retinoides uns dias e protector solar sem falhar nas semanas seguintes. Entre sessões, nada de cera nem pinça: só lâmina.

Os pelos encravados saem sozinhos?

Alguns sim — o pêlo acaba por romper a pele e a inflamação passa em uma ou duas semanas. Mas em quem tem pêlo encaracolado e continua a barbear-se rente, voltam sempre, e cada regresso deixa mais mancha e mais risco de cicatriz. Esperar sem mudar nada na técnica não costuma resultar.

Os produtos para a acne ajudam?

Alguns, sim. O ácido salicílico desobstrui o poro, o peróxido de benzoílo ajuda quando há bolinhas de pus e os retinoides são dos melhores preventivos. Mas atenção: acne e pelos encravados são coisas diferentes. Cravos na cara, peito e costas são acne; altos com um pêlo lá dentro, na zona que se barbeia ou depila, são pelos encravados.

E na virilha e no biquíni?

Quatro frentes, por esta ordem: mudar a forma de tirar o pêlo (lâmina única no sentido do crescimento, ou laser); esfoliação química regular, evitando o dia da depilação; roupa larga e de algodão enquanto a pele acalma; e tratar as manchas que ficaram, com protecção solar incluída. Se já há lesões repetidas ou cicatriz, o laser é a solução que evita continuar a acumular marcas.

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