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15 de agosto de 2025  ·  Dermatologia

Psoríase: O Que É, Sintomas, Causas e Tratamento

Pele com manchas vermelhas e escamosas

Placas avermelhadas cobertas por escamas esbranquiçadas, nos cotovelos, nos joelhos, no couro cabeludo ou na zona lombar. Coçam. Vão e voltam. E há quem passe anos a tratá-las como “pele seca” antes de alguém lhes dar o nome certo.

A psoríase afecta duas a três pessoas em cada cem — em Portugal, mais de duzentas mil. Este artigo explica porque é que aparece, como se manifesta, o que é preciso rastrear além da pele, que tratamentos existem — dos cremes aos biológicos — e como se acede aos tratamentos avançados em Portugal.

Índice

O que é a psoríasePorque é que apareceOs tipos de psoríaseNão é só da pele: o que há a rastrearDores nas articulações: a artrite psoriáticaComo se faz o diagnósticoLigeira, moderada ou grave — porque é que isso decide tudoTratamentos aplicados na peleTratamento com luz (fototerapia)Comprimidos e injecções: os tratamentos sistémicosOs biológicos: bloquear a mensagem certaComo se acede a estes tratamentos em PortugalO que pode fazer: desencadeantes e estilo de vidaPsoríase nas unhasQuando consultarPerguntas Frequentes

O que é a psoríase

Na pele normal, as células da camada superficial nascem em baixo, sobem e descamam ao fim de cerca de um mês, sem se dar por isso. Na psoríase, o sistema imunitário dá uma ordem errada e essa renovação passa a fazer-se em poucos dias. As células não têm tempo de amadurecer nem de se soltar uma a uma, e acumulam-se à superfície: é isso que forma a placa espessa, avermelhada e coberta de escama esbranquiçada. Por baixo, os vasos dilatam-se — daí o eritema.

Não é, portanto, uma doença da pele: é uma doença do sistema imunitário com expressão na pele, nas unhas, nas articulações e no risco cardiovascular. Não tem cura, mas tem controlo — e o controlo possível hoje não se compara ao de há vinte anos.

Importa dizer o que a psoríase não é, porque cada um destes equívocos atrasa o diagnóstico ou envergonha quem a tem: não é falta de higiene, não é alergia nem eczema (embora possam coexistir), não é caspa, não é causada por fungos — ao contrário da dermatite seborreica, que pode aparecer ao mesmo tempo — e, sobretudo, não é contagiosa: não passa por contacto, por partilhar roupa ou toalhas, pela piscina, por um beijo ou por relações sexuais.

E há um mito a desmontar: a psoríase dá comichão. Mais de metade das pessoas tem prurido, por vezes intenso. Ouvir “a psoríase não coça” leva muita gente a duvidar do diagnóstico ou a não relatar um sintoma que tem tratamento.

Porque é que aparece

Há uma predisposição genética — cerca de um terço das pessoas tem alguém na família com a doença — mas herda-se a tendência, não a doença. Sobre essa predisposição actuam desencadeantes, e reconhecê-los é útil porque alguns são evitáveis:

  • Infecções, sobretudo as de garganta, que desencadeiam com frequência a forma em gotas nos jovens.
  • Stress — numa relação de duplo sentido: a doença gera stress, que agrava a doença.
  • Medicamentos — alguns comprimidos para a tensão e para o coração, o lítio, os antimaláricos, alguns anti-inflamatórios, e a suspensão brusca de corticóides tomados por via oral, que pode desencadear uma crise grave.
  • Trauma na pele — um corte, uma cicatriz, uma tatuagem ou um arranhão podem fazer nascer psoríase naquele sítio. É também a razão por que coçar piora as placas.
  • Tabaco, álcool e excesso de peso.

Costuma começar no fim da adolescência e início da idade adulta, ou já depois dos cinquenta — mas pode aparecer em qualquer idade, incluindo na infância.

Os tipos de psoríase

TipoComo se apresentaO que costuma implicar
Em placas (a grande maioria)Placas avermelhadas com escama espessa e prateada, simétricas: cotovelos, joelhos, couro cabeludo, zona lombarO quadro clássico; tratamento conforme a extensão e o impacto
Em gotasPequenas lesões espalhadas pelo tronco, poucas semanas depois de uma infecção de garganta; crianças e jovensPode resolver sozinha; trata-se a infecção
Invertida (das pregas)Vermelho brilhante e liso, sem escama, nas axilas, virilhas e sob o peitoConfunde-se com micose e irritação; a humidade impede a escama
PalmoplantarEspessamento e fissuras dolorosas nas palmas e plantasMuito incapacitante; pode impedir de trabalhar e de andar
Das unhasCovinhas, manchas alaranjadas, descolamento, espessuraMarcador de doença mais grave — ver secção própria
Pustulosa generalizadaPústulas por todo o corpo, com febre e mal-estarEmergência médica
EritrodérmicaQuase toda a pele vermelha e a descamarEmergência médica

As duas últimas são raras, mas justificam uma regra simples: psoríase com febre, com pústulas espalhadas ou a cobrir quase todo o corpo é motivo para procurar atendimento urgente, não para esperar pela consulta marcada.

Não é só da pele: o que há a rastrear

Esta é provavelmente a parte mais importante do artigo, e a que mais frequentemente não é dita. A inflamação não fica na pele — circula. Quem tem psoríase, sobretudo nas formas extensas, tem risco aumentado de problemas que devem ser procurados activamente, e não esperados:

O que rastrearPorquê
ArticulaçõesAté cerca de um terço desenvolve artrite psoriática, e o atraso deixa sequelas
Coração e vasosRisco cardiovascular aumentado, independentemente do peso e do tabaco
Açúcar, tensão, colesterol, perímetro abdominalAssociação forte a síndrome metabólico
FígadoDoença hepática gorda frequente; alguns tratamentos exigem fígado vigiado
IntestinoMaior risco de doença inflamatória intestinal
Saúde mentalDepressão e ansiedade mais frequentes; a carga da doença é subestimada
OlhosInflamação ocular, sobretudo quando há artrite

Na prática, uma consulta de psoríase bem feita não olha só para as placas: mede a tensão e o peso, pede análises e pergunta pelas articulações, pelo intestino, pelos olhos e pelo estado de espírito. Uma pessoa com psoríase extensa tem um risco cardiovascular que merece ser tratado como tal.

Atenção ainda a uma “psoríase” que não responde como devia: placas persistentes e atípicas merecem ser reavaliadas e, se necessário, biopsadas.

Dores nas articulações: a artrite psoriática

É a associação mais relevante, e aquela em que o tempo conta. Na maioria dos casos a psoríase da pele aparece primeiro e a artrite surge anos depois — mas nem sempre: há quem tenha as articulações a doer antes da primeira placa, e é frequente esses casos serem inicialmente rotulados de outra coisa.

Sintomas a relatar sem esperar:

  • Rigidez de manhã que dura mais de meia hora.
  • Dor que melhora com o movimento e piora em repouso — o inverso do desgaste mecânico.
  • Dor lombar que acorda durante a noite.
  • Dor no calcanhar ou na planta do pé.
  • Um dedo inteiro inchado, como uma salsicha — não só a articulação.

Porque é que a pressa importa: o dano articular, uma vez instalado, não se desfaz. Meses de atraso traduzem-se em perda de função permanente. É por isso que estas perguntas se fazem em todas as consultas de psoríase, mesmo a quem só se queixa da pele. Quem tem psoríase nas unhas ou no couro cabeludo tem maior probabilidade de vir a ter artrite.

Como se faz o diagnóstico

Na maior parte dos casos, o diagnóstico é clínico: as placas têm um aspecto característico e o dermatologista reconhece-as ao observar. A dermatoscopia ajuda nos casos duvidosos, distinguindo a psoríase da dermatite seborreica e do eczema. A observação estende-se sempre a zonas que a pessoa não mostra por iniciativa própria — couro cabeludo, unhas, umbigo, pregas, palmas e plantas —, porque é frequente a doença esconder-se aí. A biópsia fica reservada aos casos atípicos e às placas isoladas que não respondem.

As análises não servem para diagnosticar — servem para preparar o tratamento: antes de iniciar terapêuticas que actuam sobre o sistema imunitário faz-se um conjunto de exames de segurança e actualizam-se as vacinas.

Ligeira, moderada ou grave — porque é que isso decide tudo

A gravidade não é uma impressão: mede-se, e é o que abre ou fecha o acesso aos tratamentos. Combinam-se a área de pele afectada, a intensidade das placas e o impacto na vida da pessoa, avaliado por questionário. Uma psoríase ligeira trata-se com produtos aplicados na pele; uma moderada a grave justifica luz ou tratamento por via geral.

E há uma nuance que faz toda a diferença: a área afectada não conta a história toda. Uma psoríase pequena nas mãos, na cara, nas plantas dos pés ou nos genitais pode ser mais incapacitante do que uma extensa nas costas, porque impede de trabalhar, de andar ou de ter uma vida íntima normal. Estas localizações contam como doença grave mesmo ocupando pouca pele.

Tratamentos aplicados na pele

São a base da psoríase ligeira e acompanham todos os outros tratamentos nas formas mais extensas.

  • Análogos da vitamina D (como o calcipotriol, disponível em Portugal em gel) — travam a multiplicação acelerada das células. São o pilar, muitas vezes combinados com um corticóide na mesma preparação, o que resulta melhor do que qualquer um isolado.
  • Corticóides aplicados na pele — eficazes e rápidos, mas em excesso e sem pausas atrofiam a pele. Não se usam da mesma forma na cara, nas pregas e nos genitais, onde a pele é fina.
  • Queratolíticos, que dissolvem a escama: sem tirar a escama espessa, o que se aplica por cima não chega ao sítio certo.
  • Alcatrão — antigo, mas mantém utilidade, sobretudo em champô.
  • Cremes que modulam a imunidade localmente — para a cara, as pregas e os genitais.
  • Emolientes — todos os dias. Não tratam a doença, mas reduzem a fissura, a comichão e a escama.

A regra prática: aplicar só nas zonas afectadas, em camada fina, e nunca parar de repente um corticóide forte usado em grandes áreas. A forma conta tanto como a substância: o que se usa no couro cabeludo não é o que se usa numa placa do cotovelo.

No couro cabeludo, que afecta cerca de metade das pessoas com psoríase, as dificuldades são próprias: o cabelo impede a aplicação e a escama acumula-se. Distingue-se da caspa por ser mais espessa, prateada e bem delimitada, ultrapassando frequentemente a linha do cabelo. A abordagem faz-se por fases — tirar a escama, tratar, manter — e está detalhada no artigo dedicado: psoríase no couro cabeludo.

Tratamento com luz (fototerapia)

A exposição controlada a um tipo específico de luz ultravioleta, em cabina, é eficaz e tem muitos anos de uso. Faz-se em sessões repetidas por semana ao longo de vários meses, com a dose calculada para cada pessoa — nada a ver com solários, que não são tratamento e aumentam o risco de cancro da pele. É boa opção quando há contra-indicação ou recusa dos tratamentos por via geral, e é das poucas alternativas utilizáveis durante a gravidez. A limitação é prática: obriga a deslocações frequentes a uma unidade equipada.

Comprimidos e injecções: os tratamentos sistémicos

Quando a doença é moderada a grave, os tratamentos aplicados na pele não chegam — não por estarem a ser mal usados, mas porque a doença não está na pele.

Os sistémicos clássicos são a primeira linha por via geral. Travam o sistema imunitário de forma ampla, e cada um tem o seu perfil:

  • O comprimido semanal mais usado (metotrexato) é particularmente útil quando há também artrite psoriática, porque trata as duas coisas. Exige vigilância do fígado e do sangue, e está absolutamente contra-indicado na gravidez.
  • O mais rápido a actuar (ciclosporina) usa-se como ponte nas crises graves, por períodos limitados, porque a longo prazo afecta os rins e a tensão arterial.
  • Um retinóide oral (acitretina, disponível em Portugal em cápsula) é útil sobretudo nas formas das palmas e plantas, e não baixa as defesas. Mas é gravemente teratogénico durante anos após parar, o que condiciona o uso em mulheres em idade fértil.

Todos exigem análises regulares e rastreio prévio. A escolha, a dose e a duração são decisão médica.

Os biológicos: bloquear a mensagem certa

Nos últimos vinte anos percebeu-se qual é a mensagem química que faz a pele multiplicar-se depressa demais na psoríase. Foi essa descoberta que mudou tudo: em vez de travar o sistema imunitário todo, passou a ser possível bloquear apenas o sinal errado.

Os biológicos são medicamentos injectáveis que fazem isso. Organizam-se em famílias, conforme o ponto da cadeia que bloqueiam:

  • Os que bloqueiam a interleucina 17 — actuam no fim da cadeia, sobre o mensageiro que dá a ordem directa à pele; resposta muito rápida. Como essa substância também defende as mucosas dos fungos, podem facilitar infecções por fungos na boca ou na região genital, geralmente fáceis de tratar. Não são a primeira escolha em quem tem doença inflamatória do intestino.
  • Os que bloqueiam a interleucina 23 — actuam mais acima, no sinal que sustenta o processo. Resposta duradoura e injecções pouco frequentes. Costumam ser boa opção em quem tem doença inflamatória do intestino associada.
  • Os que bloqueiam o TNF — a primeira geração. Continuam preferidos quando há artrite psoriática com envolvimento da coluna e quando coexistem outras doenças inflamatórias.
  • Comprimidos dirigidos — orais, interrompem o mesmo tipo de sinal a partir de dentro da célula. Menos eficazes do que os injectáveis, mas resolvem o problema de quem não tolera injecções.

Não existe um melhor. A escolha depende do que mais pesa em cada pessoa: se há artrite e de que tipo, se há doença do intestino, se há infecções de repetição, se há planos de gravidez, e o que já se tentou. É uma conversa, não um algoritmo.

Todos partilham a mesma preparação — rastreio de tuberculose latente e de hepatites, vacinas actualizadas (as vivas dão-se antes de começar, não durante) e vigilância de infecções — e uma boa notícia: a segurança ao longo de muitos anos de uso tem-se revelado melhor do que se temia no início.

Como se acede a estes tratamentos em Portugal

Em Portugal, os biológicos para a psoríase são dispensados gratuitamente em meio hospitalar a quem cumpre os critérios. Não se compram na farmácia da rua — o custo é assumido pelo hospital.

Os critérios, em linguagem simples, são três:

  1. Doença moderada a grave documentada — área afectada, intensidade e impacto na qualidade de vida.
  2. Ter falhado, não tolerado ou ter contra-indicação a pelo menos dois tratamentos sistémicos clássicos ou à fototerapia.
  3. Não ter contra-indicações — infecção activa, tuberculose não tratada, entre outras.

Nas formas graves e nas localizações incapacitantes (mãos, plantas, genitais, unhas, formas pustulosas ou eritrodérmicas), estes critérios podem ser flexibilizados.

O passo prático: o acesso depende de avaliação por dermatologia hospitalar. Quem é seguido no privado pode pedir uma carta de referenciação; quem não é seguido por ninguém deve pedi-la ao médico de família.

O que pode fazer: desencadeantes e estilo de vida

A pergunta “e eu, o que posso fazer?” tem resposta, e não é vaga:

  • Deixar de fumar. O tabaco agrava a doença e piora a resposta ao tratamento — e está particularmente ligado às formas das palmas e plantas.
  • Reduzir o álcool. Agrava a doença, agrava o fígado e limita as opções de tratamento.
  • Perder peso, se houver excesso. Melhora as lesões e a resposta aos tratamentos — é das intervenções com efeito mais consistente.
  • Cuidar do stress. Psicoterapia, exercício e sono. Em quem tem sintomas depressivos, o encaminhamento para psicologia faz parte do tratamento.
  • Hidratar a pele todos os dias, banho rápido e morno, sabão suave, e não esfregar.
  • Sol com moderação — a maioria melhora, mas uma queimadura pode desencadear lesões novas.
  • Dieta mediterrânica — tem evidência crescente a favor. Não há evidência sólida para dietas sem glúten (excepto em doença celíaca diagnosticada), dietas de exclusão radicais, jejuns prolongados ou suplementos que prometem cura.
  • Vacinas em dia, avisando sempre que está em tratamento imunossupressor.

Psoríase nas unhas

Afecta cerca de metade das pessoas com psoríase e é muito mais frequente em quem tem artrite psoriática — o que faz dela um sinal de alerta útil, não apenas um problema estético. Manifesta-se por pequenas covinhas na superfície da unha, como se tivesse sido picada com um alfinete, por uma mancha alaranjada sob a unha com aspecto de gota de óleo, por descolamento e por espessamento com deformação.

Dois pontos práticos. Confunde-se com fungo, e as duas coisas coexistem com frequência — antes de meses de antifúngico, vale a pena confirmar em laboratório (ver fungo nas unhas). E a unha é uma barreira difícil para o que se aplica por fora, pelo que as formas mais incapacitantes respondem sobretudo aos tratamentos por via geral. Ajudam ainda: unhas curtas, não roer nem empurrar as cutículas, e evitar gel e acrílicos sobre unhas afectadas.

Quando consultar

Procure consulta de dermatologia se:

  • Tem placas com escama há mais de um mês, sobretudo nos cotovelos, joelhos, couro cabeludo ou zona lombar.
  • Faz tratamento há meses sem resposta adequada, ou precisa de corticóide forte de forma contínua.
  • Apareceram dores articulares, rigidez de manhã, dor no calcanhar ou um dedo inchado — não espere.
  • Tem psoríase em zonas sensíveis (cara, mãos, plantas, genitais), mesmo em área pequena.
  • Nunca lhe rastrearam as comorbilidades — tensão, açúcar, colesterol, fígado, articulações, saúde mental.
  • Quer discutir biológicos, ou planeia engravidar (há tratamentos a mudar com antecedência).

E procure atendimento urgente se surgir uma crise com pústulas espalhadas e febre, ou com quase toda a pele vermelha e a descamar.

Na MyDermaCare, poderá realizar uma consulta de dermatologia online: responde a um questionário médico, submete fotografias e recebe em até 24 horas úteis um relatório dermatológico com orientação para o seu caso.

Perguntas Frequentes

A psoríase tem cura?

Não. É crónica, e a predisposição mantém-se mesmo com a pele limpa. Mas o controlo hoje é muito bom: é possível manter a pele praticamente sem lesões durante anos. Há períodos de acalmia e também recaídas, habitualmente ligadas a uma infecção, a stress, a um medicamento novo ou à suspensão do tratamento. O objectivo realista é doença controlada e vida normal.

A psoríase é contagiosa?

Não, em circunstância alguma. Não se transmite por contacto, por partilhar roupa, toalhas, talheres, piscina, beijos ou relações sexuais — o sistema imunitário da própria pessoa é o agente da doença. Pode e deve tocar, abraçar e conviver normalmente.

Vou ter artrite psoriática?

Provavelmente não: acontece a cerca de um terço das pessoas com psoríase da pele, e o risco é maior em quem tem psoríase nas unhas, no couro cabeludo ou doença extensa. Relate sem esperar rigidez de manhã que dure mais de meia hora, dor que melhora com o movimento, dor no calcanhar, um dedo inteiro inchado ou dor lombar que acorda de noite. O diagnóstico precoce evita danos permanentes.

Os biológicos são para sempre?

Frequentemente sim, porque a doença é crónica e a suspensão costuma levar a recaída. A estratégia habitual é tratamento contínuo com reavaliação periódica; em remissão prolongada pode tentar-se espaçar as administrações, retomando se necessário.

Posso engravidar com psoríase?

Sim, e em muitos casos a psoríase até melhora durante a gravidez, podendo agravar depois do parto. O essencial é planear com antecedência: alguns tratamentos são incompatíveis e têm de ser suspensos com meses ou anos de antecedência, outros são compatíveis. Fale com o dermatologista antes de tentar engravidar — e não suspenda nada por iniciativa própria.

O sol melhora a psoríase?

Na maioria das pessoas sim, e é o mesmo mecanismo que a fototerapia aproveita de forma controlada. Mas uma queimadura pode desencadear lesões novas: use protector solar nas zonas sem psoríase e nunca recorra a solários, que não são tratamento e aumentam o risco de cancro da pele.

Os biológicos são comparticipados em Portugal?

São dispensados gratuitamente em meio hospitalar a quem cumpre os critérios: doença moderada a grave documentada e falência, intolerância ou contra-indicação a pelo menos dois tratamentos sistémicos clássicos ou à fototerapia. Não se compram na farmácia da rua. O passo prático é conseguir consulta de dermatologia hospitalar — pelo médico de família, ou com carta de referenciação do dermatologista do privado.

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