Úlcera Cutânea: O Que É, Tipos e Quando Avaliar
A úlcera é uma perda de substância cutânea que ultrapassa a epiderme e atinge a derme profunda ou planos ainda mais fundos. Ao contrário da erosão — que é superficial e cura sem deixar marca —, a úlcera destrói estruturas da derme e por isso cicatriza sempre com cicatriz.
Quando se fala de úlcera em dermatologia, o exemplo mais comum é a úlcera de perna (venosa ou arterial), mas o termo abrange qualquer ferida cutânea profunda que não fecha no tempo esperado. Neste artigo explicamos o que distingue uma úlcera das outras feridas, os principais tipos, porque surgem e quando é preciso avaliação médica.
Índice
O que é uma úlceraComo reconhecerTipos de úlcera cutâneaPorque surge: causasComo se trataÚlcera vs outras lesõesQuando consultarPerguntas FrequentesO que é uma úlcera
Em linguagem clínica, a úlcera é uma solução de continuidade profunda: a pele “abre” e o defeito vai além da camada mais superficial. Pense na pele como um terreno com várias camadas — uma erosão arranha só a superfície e o terreno recompõe-se; a úlcera cava fundo, remove tecido de suporte e, ao fechar, deixa cicatriz.
A característica que a define não é o tamanho, mas a profundidade e a dificuldade em cicatrizar. Uma ferida torna-se preocupante quando não fecha em 4 a 6 semanas — é aí que se fala de úlcera crónica e que a causa de base tem de ser investigada.
Como reconhecer
- Perda de tecido com profundidade superior à epiderme
- Bordos definidos, regulares ou irregulares
- Base de cor variável: rosada (tecido de granulação saudável), amarelada (fibrina) ou enegrecida (necrose)
- Frequentemente dolorosa — mas pode ser indolor na úlcera neuropática
- Por vezes com exsudado, mau cheiro ou crosta sobreposta
- Cura sempre com cicatriz
Tipos de úlcera cutânea
A grande maioria das úlceras de pele tem origem circulatória (nas pernas). Conhecer o tipo orienta toda a abordagem:
- Úlcera venosa — a mais frequente. Surge por mau retorno do sangue nas veias das pernas; localiza-se tipicamente na face interna do tornozelo (perimaleolar), com bordos pouco elevados, edema e pele acastanhada à volta.
- Úlcera arterial — resulta de fluxo arterial insuficiente. É distal (dedos, calcanhar), muito dolorosa, com pele fria, pálida e pulsos diminuídos.
- Úlcera neuropática (pé diabético) — assenta sobre pontos de pressão da planta do pé. É caracteristicamente indolor, porque a neuropatia diminui a sensibilidade — o que a torna perigosa por passar despercebida.
- Úlcera de pressão (escara) — sobre proeminências ósseas (sacro, calcanhares, ancas) em pessoas acamadas ou com mobilidade reduzida.
- Úlcera neoplásica — mais rara, mas importante: um cancro da pele (como o carcinoma basocelular ou espinocelular) pode ulcerar. Levanta suspeita quando a úlcera tem bordo elevado, endurecido ou que cresce, sobretudo em zona exposta ao sol.
Porque surge: causas
A úlcera é quase sempre o sintoma de um problema de base, não uma doença isolada. As causas mais comuns são:
- Insuficiência venosa — a origem número um das úlceras de perna
- Doença arterial periférica — falta de irrigação e oxigénio ao tecido
- Pressão prolongada — em quem passa muito tempo deitado ou sentado
- Diabetes — combina má circulação e perda de sensibilidade (neuropatia)
- Infecções e vasculites (inflamação dos vasos)
- Neoplasias cutâneas ulceradas
Por isso, tratar a úlcera passa sempre por identificar e tratar a causa — fechar a ferida sem corrigir o que a provoca leva a recidiva.
Como se trata
O tratamento combina cuidados locais da ferida com o controlo da doença de base. Os princípios gerais, sempre com orientação médica:
- Tratar a causa — controlar a insuficiência venosa, a doença arterial, a diabetes ou a pressão que originou a lesão
- Cuidados da ferida — limpeza adequada e pensos apropriados ao tipo de úlcera, para manter um ambiente favorável à cicatrização
- Terapia de compressão — pilar do tratamento da úlcera venosa (só depois de excluída doença arterial significativa)
- Alívio de pressão — reposicionamento e superfícies de apoio nas úlceras de pressão; calçado adequado no pé diabético
- Vigilância de infecção — sinais de agravamento (dor crescente, vermelhidão, exsudado, febre) exigem reavaliação
A remoção de tecido morto, os pensos específicos e a compressão são gestos clínicos: devem ser orientados por um profissional, não improvisados em casa.
Úlcera vs outras lesões
| Lesão | Característica distintiva |
|---|---|
| Úlcera | Perda profunda, cura com cicatriz |
| Erosão | Perda superficial, cura sem cicatriz |
| Fissura | Solução de continuidade linear, em fenda |
| Crosta | Exsudado seco sobre a lesão, não perda de tecido |
Quando consultar
Justificam avaliação: úlcera que não cicatriza em 4 a 6 semanas, bordo elevado ou endurecido (suspeita de neoplasia), dor desproporcionada ou sinais de infecção, e qualquer úlcera em pessoa com diabetes, insuficiência venosa ou arterial conhecida.
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Perguntas Frequentes
Toda a úlcera é grave?
Nem todas, mas todas merecem avaliação. A causa determina o prognóstico, e algumas úlceras exigem biópsia cutânea para excluir um cancro da pele.
Quando é que uma ferida passa a ser considerada úlcera crónica?
Quando não cicatriza em 4 a 6 semanas. A partir daí, é fundamental investigar a causa de base — dificilmente uma úlcera crónica fecha sozinha sem tratamento dirigido.
Como distinguir úlcera venosa de arterial?
A venosa tende a ser perimaleolar interna, pouco dolorosa e com edema; a arterial é distal, muito dolorosa, com pele fria e pálida e pulsos diminuídos. A distinção é decisiva porque o tratamento (por exemplo, a compressão) difere.
Como se trata uma úlcera na perna?
Depende do tipo. Na úlcera venosa, o pilar é a terapia de compressão associada a cuidados da ferida; na arterial, é preciso primeiro restabelecer a circulação. Em ambos os casos, tratar a doença de base é o que evita a recidiva.
Uma úlcera pode ser cancro?
Sim. Lesões ulceradas que não cicatrizam, sobretudo em zonas expostas ao sol, podem corresponder a um cancro da pele e justificam biópsia cutânea.