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20 de julho de 2026  ·  Dermatologia

Úlcera Cutânea: O Que É, Tipos e Quando Avaliar

A úlcera é uma perda de substância cutânea que ultrapassa a epiderme e atinge a derme profunda ou planos ainda mais fundos. Ao contrário da erosão — que é superficial e cura sem deixar marca —, a úlcera destrói estruturas da derme e por isso cicatriza sempre com cicatriz.

Quando se fala de úlcera em dermatologia, o exemplo mais comum é a úlcera de perna (venosa ou arterial), mas o termo abrange qualquer ferida cutânea profunda que não fecha no tempo esperado. Neste artigo explicamos o que distingue uma úlcera das outras feridas, os principais tipos, porque surgem e quando é preciso avaliação médica.

Índice

O que é uma úlceraComo reconhecerTipos de úlcera cutâneaPorque surge: causasComo se trataÚlcera vs outras lesõesQuando consultarPerguntas Frequentes

O que é uma úlcera

Em linguagem clínica, a úlcera é uma solução de continuidade profunda: a pele “abre” e o defeito vai além da camada mais superficial. Pense na pele como um terreno com várias camadas — uma erosão arranha só a superfície e o terreno recompõe-se; a úlcera cava fundo, remove tecido de suporte e, ao fechar, deixa cicatriz.

A característica que a define não é o tamanho, mas a profundidade e a dificuldade em cicatrizar. Uma ferida torna-se preocupante quando não fecha em 4 a 6 semanas — é aí que se fala de úlcera crónica e que a causa de base tem de ser investigada.

Como reconhecer

  • Perda de tecido com profundidade superior à epiderme
  • Bordos definidos, regulares ou irregulares
  • Base de cor variável: rosada (tecido de granulação saudável), amarelada (fibrina) ou enegrecida (necrose)
  • Frequentemente dolorosa — mas pode ser indolor na úlcera neuropática
  • Por vezes com exsudado, mau cheiro ou crosta sobreposta
  • Cura sempre com cicatriz

Tipos de úlcera cutânea

A grande maioria das úlceras de pele tem origem circulatória (nas pernas). Conhecer o tipo orienta toda a abordagem:

  • Úlcera venosa — a mais frequente. Surge por mau retorno do sangue nas veias das pernas; localiza-se tipicamente na face interna do tornozelo (perimaleolar), com bordos pouco elevados, edema e pele acastanhada à volta.
  • Úlcera arterial — resulta de fluxo arterial insuficiente. É distal (dedos, calcanhar), muito dolorosa, com pele fria, pálida e pulsos diminuídos.
  • Úlcera neuropática (pé diabético) — assenta sobre pontos de pressão da planta do pé. É caracteristicamente indolor, porque a neuropatia diminui a sensibilidade — o que a torna perigosa por passar despercebida.
  • Úlcera de pressão (escara) — sobre proeminências ósseas (sacro, calcanhares, ancas) em pessoas acamadas ou com mobilidade reduzida.
  • Úlcera neoplásica — mais rara, mas importante: um cancro da pele (como o carcinoma basocelular ou espinocelular) pode ulcerar. Levanta suspeita quando a úlcera tem bordo elevado, endurecido ou que cresce, sobretudo em zona exposta ao sol.

Porque surge: causas

A úlcera é quase sempre o sintoma de um problema de base, não uma doença isolada. As causas mais comuns são:

  • Insuficiência venosa — a origem número um das úlceras de perna
  • Doença arterial periférica — falta de irrigação e oxigénio ao tecido
  • Pressão prolongada — em quem passa muito tempo deitado ou sentado
  • Diabetes — combina má circulação e perda de sensibilidade (neuropatia)
  • Infecções e vasculites (inflamação dos vasos)
  • Neoplasias cutâneas ulceradas

Por isso, tratar a úlcera passa sempre por identificar e tratar a causa — fechar a ferida sem corrigir o que a provoca leva a recidiva.

Como se trata

O tratamento combina cuidados locais da ferida com o controlo da doença de base. Os princípios gerais, sempre com orientação médica:

  • Tratar a causa — controlar a insuficiência venosa, a doença arterial, a diabetes ou a pressão que originou a lesão
  • Cuidados da ferida — limpeza adequada e pensos apropriados ao tipo de úlcera, para manter um ambiente favorável à cicatrização
  • Terapia de compressão — pilar do tratamento da úlcera venosa (só depois de excluída doença arterial significativa)
  • Alívio de pressão — reposicionamento e superfícies de apoio nas úlceras de pressão; calçado adequado no pé diabético
  • Vigilância de infecção — sinais de agravamento (dor crescente, vermelhidão, exsudado, febre) exigem reavaliação

A remoção de tecido morto, os pensos específicos e a compressão são gestos clínicos: devem ser orientados por um profissional, não improvisados em casa.

Úlcera vs outras lesões

LesãoCaracterística distintiva
ÚlceraPerda profunda, cura com cicatriz
ErosãoPerda superficial, cura sem cicatriz
FissuraSolução de continuidade linear, em fenda
CrostaExsudado seco sobre a lesão, não perda de tecido

Quando consultar

Justificam avaliação: úlcera que não cicatriza em 4 a 6 semanas, bordo elevado ou endurecido (suspeita de neoplasia), dor desproporcionada ou sinais de infecção, e qualquer úlcera em pessoa com diabetes, insuficiência venosa ou arterial conhecida.

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Perguntas Frequentes

Toda a úlcera é grave?

Nem todas, mas todas merecem avaliação. A causa determina o prognóstico, e algumas úlceras exigem biópsia cutânea para excluir um cancro da pele.

Quando é que uma ferida passa a ser considerada úlcera crónica?

Quando não cicatriza em 4 a 6 semanas. A partir daí, é fundamental investigar a causa de base — dificilmente uma úlcera crónica fecha sozinha sem tratamento dirigido.

Como distinguir úlcera venosa de arterial?

A venosa tende a ser perimaleolar interna, pouco dolorosa e com edema; a arterial é distal, muito dolorosa, com pele fria e pálida e pulsos diminuídos. A distinção é decisiva porque o tratamento (por exemplo, a compressão) difere.

Como se trata uma úlcera na perna?

Depende do tipo. Na úlcera venosa, o pilar é a terapia de compressão associada a cuidados da ferida; na arterial, é preciso primeiro restabelecer a circulação. Em ambos os casos, tratar a doença de base é o que evita a recidiva.

Uma úlcera pode ser cancro?

Sim. Lesões ulceradas que não cicatrizam, sobretudo em zonas expostas ao sol, podem corresponder a um cancro da pele e justificam biópsia cutânea.

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