Fissura na Pele: O Que É, Porque Racha e Como Tratar
A fissura é uma fenda linear na pele — uma rachadura estreita, muitas vezes dolorosa, que atravessa a epiderme e por vezes chega à derme superficial, mas sem perder tecido lateral. É o que sentimos quando os dedos ou os calcanhares “racham” no Inverno. Em linguagem médica chama-se também rágade, sobretudo quando surge nas comissuras dos lábios ou noutras zonas de dobra.
A fissura resulta quase sempre de uma pele que perdeu elasticidade e é submetida a tracção — por isso aparece nas zonas que mais se movem e mais secam: mãos, pés e cantos da boca. Neste artigo explicamos o que é, porque a pele racha, como cuidar e prevenir e quando justifica avaliação dermatológica.
Índice
O que é uma fissuraPorque a pele rachaComo reconhecerOnde aparece: exemplos clínicosFissura vs outras lesõesCuidados e prevençãoQuando consultarPerguntas FrequentesO que é uma fissura
Em dermatologia, a fissura é uma solução de continuidade linear da pele: um corte fino que se abre como uma ranhura. Distingue-se de uma erosão (que é uma perda superficial em área larga) por ser estreita e alongada, e distingue-se de uma úlcera por ser mais superficial.
Aparece tipicamente sobre pele espessa, seca e pouco elástica. Quando essa pele é esticada por um movimento — dobrar um dedo, apoiar o calcanhar, abrir a boca — a superfície cede e abre-se numa fenda.
Porque a pele racha
A fissura nasce da combinação de três factores: pele espessa e seca (hiperqueratose), perda de elasticidade e tracção mecânica repetida. Vários contextos favorecem este processo:
- Frio e lavagem frequente — reduzem a barreira de lípidos que mantém a pele flexível; é a causa mais comum das fissuras de Inverno
- Eczema e pele atópica — pele cronicamente seca e inflamada, sobretudo nas mãos
- Dermatite de contacto — irritantes como detergentes e sabões agressivos
- Fungos — o pé de atleta causa fissuras entre os dedos
- Psoríase palmoplantar — fissuras sobre placas espessas nas palmas e plantas
Como reconhecer
- Lesão linear, recta ou em “ranhura”
- Profundidade variável, podendo atingir a derme superficial
- Frequentemente dolorosa, sobretudo ao movimento
- Bordos secos, espessos e pouco regulares
- Pode acompanhar-se de crosta fina ou ligeira hemorragia
Onde aparece: exemplos clínicos
- Eczema crónico das mãos — fissuras nas polpas dos dedos e nas palmas
- Queilite angular (rágade) — fissuras nas comissuras dos lábios
- Fissura plantar — calcanhares secos e espessos com fendas dolorosas
- Pé de atleta — fissuras entre os dedos dos pés
- Psoríase palmoplantar — fissuras sobre placas hiperqueratósicas
Fissura vs outras lesões
| Lesão | Característica distintiva |
|---|---|
| Fissura | Fenda linear, estreita |
| Erosão | Perda superficial de epiderme em área larga |
| Úlcera | Perda mais profunda, ultrapassa a derme |
| Excoriação | Perda linear por traumatismo (coçar) |
Cuidados e prevenção
Nas fissuras ligeiras, o essencial é repor a barreira da pele e reduzir a tracção sobre a zona:
- Emolientes espessos aplicados com frequência, sobretudo após lavar as mãos ou os pés
- Oclusão nocturna — aplicar creme e cobrir com luvas de algodão ou meias ajuda a “selar” a hidratação
- Evitar água muito quente e lavagens frequentes com sabões agressivos
- Usar luvas em tarefas domésticas e no frio, para proteger as mãos
- Quando existe uma doença de base — eczema, psoríase, micose — é preciso tratá-la, porque a fissura só resolve se a causa for controlada
Quando consultar
Justificam avaliação dermatológica: fissuras persistentes ou recorrentes nas mãos ou nos pés; dor intensa que limita a actividade ou a marcha; sinais de infecção (vermelhidão a crescer, exsudato, pústula, febre); comichão no corpo associada ou múltiplos surtos; e suspeita de uma dermatose subjacente (eczema, psoríase, micose) que precise de tratamento próprio.
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Perguntas Frequentes
Porque é que as minhas mãos racham no Inverno?
O frio e a lavagem frequente reduzem a barreira de lípidos que mantém a pele flexível. Sem essa barreira, a pele seca, perde elasticidade e racha ao movimento — sobretudo em quem já tem tendência atópica.
Os cremes hidratantes resolvem sempre?
Nos casos ligeiros, muitas vezes sim, com emolientes usados de forma consistente. Quando há eczema, psoríase ou uma micose por baixo, é necessário tratar a doença de base para a fissura fechar.
Posso usar penso sobre uma fissura?
Pode. Um penso protege a fenda, reduz a dor ao movimento e mantém a zona húmida, o que favorece a cicatrização. Fissuras que não fecham ou que sangram merecem avaliação.
Fissuras nos cantos da boca são preocupantes?
As rágades da comissura labial são frequentemente benignas, mas quando são persistentes ou recorrentes justificam avaliação, para identificar e tratar a causa.