Eczema Atópico (Dermatite Atópica): Sintomas, Causas e Tratamento

A pele fica seca, áspera e vermelha, dá uma comichão que não passa — pior à noite, ao ponto de tirar o sono — e melhora umas semanas para voltar a seguir. É assim que a maioria das pessoas descreve o eczema atópico, também chamado dermatite atópica.
É a doença inflamatória crónica da pele mais frequente. Afecta cerca de uma em cada seis crianças e mantém-se, ou aparece pela primeira vez, numa fatia menor mas significativa de adultos.
Antes de tudo o resto, as três respostas que quase toda a gente procura:
- Não é contagioso. Não se apanha nem se passa a ninguém, por contacto, roupa, toalhas ou piscina.
- Não é “dos nervos” nem é, na maioria dos casos, uma alergia alimentar. O stress e alguns alimentos podem agravar; não são a causa.
- Não tem cura, mas tem controlo — e muito bom. Não existe um tratamento que apague a tendência de fundo, mas é hoje possível manter a pele calma durante longos períodos, inclusive nos casos graves que há uma década não tinham resposta.
Este artigo é sobre o eczema atópico do adolescente e do adulto, e sobre a doença em geral. Se o caso é de um bebé, o artigo dedicado é dermatite atópica no bebé, que trata a doença do ponto de vista dos pais.
Índice
O que é o eczema atópicoPorque apareceOnde aparece, conforme a idadeSerá mesmo eczema atópico?O que faz agravarO cuidado de base: banho e hidrataçãoTratar o surtoManutenção: tratar antes de haver lesãoQuando os cremes não chegamO medo do corticóideSinais de infecção — e o que é urgenteAsma, rinite e alergias alimentaresQuando consultarPerguntas FrequentesO que é o eczema atópico
O eczema atópico é uma inflamação crónica da pele que vem e vai por surtos, com comichão como sintoma central e com um padrão de localização bastante previsível conforme a idade.
Nas fases em que está activo, a pele fica vermelha, inchada, por vezes com pequenas borbulhas de líquido que rebentam e deixam a zona húmida e com crosta. Nas fases arrastadas, o que domina é a descamação, as gretas e a liquenificação — o nome que se dá à pele espessa e áspera, com os sulcos naturais muito marcados, de tanto ser coçada.
Uma palavra sobre nomes, porque geram confusão real:
- Eczema sozinho é um termo guarda-chuva. Cabe lá dentro o eczema atópico, mas também o eczema de contacto, o eczema das mãos com borbulhas e a dermatite seborreica.
- Eczema atópico e dermatite atópica são exactamente a mesma coisa.
- “Atópico” quer dizer que existe uma tendência familiar para reagir em excesso — a mesma que está por trás da asma e da rinite alérgica. Não quer dizer alérgico a alguma coisa em concreto.
Porque aparece
Há duas coisas ao mesmo tempo, e é a combinação que faz a doença.
Primeiro, uma barreira de pele que não veda bem. A camada mais superficial da pele funciona como uma parede de tijolos com argamassa entre eles. No eczema atópico, essa argamassa é deficitária — muitas vezes por uma variação num gene chamado filagrina, responsável por uma proteína que dá coesão e retém água. O resultado é uma pele que perde água por dentro e deixa entrar de fora o que devia ficar cá fora: sabões, pó, ácaros, micróbios.
Segundo, um sistema imunitário que reage de mais. O que entra por essa barreira frouxa é recebido com uma resposta inflamatória desproporcionada. São essas moléculas da inflamação que provocam a vermelhidão — e uma delas actua directamente sobre os nervos da pele, o que explica porque a comichão é tão intensa e tão desligada do aspecto visível.
Fecha o círculo um terceiro elemento: a pele com eczema é colonizada em excesso por uma bactéria que quase toda a gente tem, o Staphylococcus aureus, e que aqui alimenta a inflamação. Não é uma infecção no sentido habitual — é um desequilíbrio.
Daí a regra que organiza tudo o que vem a seguir: reparar a barreira todos os dias, travar a inflamação quando ela aparece. Um sem o outro não resulta.
Onde aparece, conforme a idade
O sítio onde as lesões aparecem muda com a idade, e isso ajuda muito no diagnóstico:
| Idade | Onde aparece | Como é |
|---|---|---|
| Bebé | Bochechas, couro cabeludo, parte de fora dos braços e pernas; poupa a zona da fralda | Vermelho, húmido, com crostas amareladas |
| Criança | Dobras dos cotovelos e dos joelhos, pescoço, pulsos, tornozelos | Mais seco, mais espesso, com marcas de unhas |
| Adolescente e adulto | Dobras, cara (sobretudo à volta dos olhos e da boca), pescoço, mãos | Pele espessa e áspera, cara com aspecto cansado, eczema das mãos frequentemente o problema principal |
No adulto, há duas apresentações que valem nota. A cara e as pálpebras são zonas de pele fina e muito visível, o que pesa socialmente — e onde os cremes têm de ser escolhidos com cuidado. E o eczema das mãos é, muitas vezes, o que traz a pessoa à consulta: gretas dolorosas, dificuldade em trabalhar, meses sem acalmar.
O tema geral da doença na infância está desenvolvido em dermatologia pediátrica.
Será mesmo eczema atópico?
Não há análise que dê o diagnóstico. Faz-se pela observação e pela história — e é assim que deve ser, porque nenhum exame de sangue confirma ou exclui esta doença.
O que o médico procura, na prática, é um conjunto: comichão (sem comichão, o diagnóstico é outro), lesões nos sítios típicos para a idade, pele seca de fundo, um curso que vai e vem ao longo de anos, e história pessoal ou familiar de eczema, asma ou rinite.
Existem escalas para pôr a gravidade em número — usam-se sobretudo em investigação. Na consulta, o que decide é mais simples: quanto da pele está afectada, quanto incomoda, e quanto interfere com o sono e com a vida.
Duas notas:
- Em pele mais escura, o eczema muda de aspecto. A vermelhidão lê-se pior, as lesões aparecem mais na parte de fora dos membros e ficam frequentemente manchas mais claras depois de acalmar. É uma causa conhecida de diagnóstico tardio.
- Há outras doenças que se parecem com esta e se tratam de forma diferente: a dermatite de contacto (uma substância que toca na pele a causar tudo), o eczema disidrótico (borbulhas nos dedos e nas palmas), a dermatite seborreica, a psoríase e algumas micoses. Não é raro coexistirem.
O que faz agravar
O eczema atópico oscila, e boa parte da oscilação tem explicação. Os agravantes mais consistentes:
- Pele seca — ar condicionado, aquecimento central, Inverno, banhos longos e quentes.
- Sabões e detergentes — o que tira a gordura da louça também tira a da pele.
- Suor, calor e o atrito da roupa. A lã áspera e os sintéticos justos são clássicos.
- Perfumes e conservantes em cosméticos e produtos de higiene.
- Ácaros do pó, pêlo de animais, pólen — em quem está sensibilizado.
- Infecções de pele, e as viroses banais.
- Stress e falta de sono. Agravam de verdade — e depois a comichão nocturna tira o sono, o que agrava mais. É um ciclo, não uma questão de personalidade.
- Alterações hormonais — ciclo menstrual, gravidez, menopausa. Pode melhorar ou piorar.
Identificar os seus e reduzi-los faz diferença real no número de surtos. O que não faz sentido é eliminar alimentos por precaução — ver mais abaixo.
O cuidado de base: banho e hidratação
Esta é a parte que parece pouco e que é, na verdade, a mais determinante. Sem barreira reparada, todos os outros tratamentos rendem menos.
Hidratar todos os dias, também fora dos surtos. Os produtos indicados chamam-se emolientes — cremes espessos, sem perfume, cuja função não é “hidratar” no sentido cosmético mas selar a barreira. Aplicam-se generosamente, mais do que a intuição manda, e com a pele ainda ligeiramente húmida logo a seguir ao banho. Como escolher e quanto usar está desenvolvido em emolientes para pele atópica.
O banho:
- Curto e morno, não quente. A água quente alivia a comichão no momento e piora tudo depois.
- Sem sabão alcalino — usar um produto de limpeza suave, sem detergente agressivo.
- Secar por toque, sem esfregar com a toalha.
- Emoliente imediatamente a seguir, com a pele ainda húmida.
Banho diário não faz mal nenhum a quem tem eczema — feito assim, até ajuda.
A roupa: algodão macio, evitar lã áspera e sintéticos justos, lavar com detergente líquido sem perfume, enxaguar bem, cortar as etiquetas.
Tratar o surto
Quando há lesão activa, a hidratação sozinha não chega. É preciso travar a inflamação — e travá-la depressa, porque um surto tratado tarde demora muito mais a resolver.
As duas famílias de cremes usadas para isso:
| Família | O que faz | Onde entra |
|---|---|---|
| Corticóides tópicos (os “cremes de cortisona”) | Travam a inflamação de forma rápida e eficaz | Primeira linha no surto. Existem em várias potências — a escolha depende da zona do corpo, da idade e da gravidade, e é decisão médica |
| Inibidores da calcineurina (tacrolímus em pomada, pimecrolímus em creme) | Travam a inflamação por outra via, sem o risco de afinar a pele | Preferidos na cara, pálpebras e dobras, e para uso prolongado. Podem arder nas primeiras aplicações — passa |
Três notas práticas que valem por muitas consultas:
- Aplicar na lesão, não na pele toda. O emoliente é que vai em todo o lado.
- Aplicar o suficiente. O erro mais comum não é usar de mais — é usar de menos e durante pouco tempo, e depois concluir que “não resultou”.
- Não parar de repente assim que a pele parece bem. É aí que entra a manutenção.
Há ainda medidas de conforto com efeito real: unhas curtas, luvas de algodão a dormir se coça em sono, e arrefecer a pele — uma compressa fria alivia a comichão melhor do que se espera.
Manutenção: tratar antes de haver lesão
Esta é, provavelmente, a mudança mais útil dos últimos anos no tratamento desta doença — e uma que muita gente nunca ouviu explicar.
Depois de o surto acalmar, não se volta ao “só creme hidratante”. Continua-se a aplicar o creme anti-inflamatório algumas vezes por semana nas zonas que costumam ser afectadas, mesmo sem lesão à vista, enquanto o emoliente continua diário em toda a pele.
Chama-se tratamento proactivo, e a lógica é simples: a pele que já teve eczema mantém inflamação por baixo mesmo quando parece normal. Tratar essa inflamação de baixo nível espaça os surtos e, no cômputo do ano, faz gastar menos anti-inflamatório do que a estratégia de esperar pelo surto seguinte.
Quanto tempo se mantém e com que frequência é decisão médica, e reavalia-se periodicamente.
Quando os cremes não chegam
Numa minoria dos casos — mas uma minoria com doença pesada — o tratamento tópico bem feito não é suficiente. As opções, por famílias:
| Abordagem | Em que consiste |
|---|---|
| Fototerapia | Sessões numa cabina de luz ultravioleta, várias vezes por semana, em centro especializado. Tratamento antigo, bem estudado, que exige persistência e deslocações |
| Imunossupressores clássicos (comprimidos) | Travam o sistema imunitário de forma ampla. Eficazes, mas exigem análises regulares e vigilância de efeitos nos rins, no fígado e no sangue. Alguns são para uso limitado no tempo |
| Biológicos (injecção) | Anticorpos desenhados para bloquear uma molécula específica da inflamação, em vez de travar o sistema imunitário todo. Foi o que mudou o prognóstico desta doença |
| Inibidores JAK orais (comprimidos) | Bloqueiam a sinalização de várias moléculas da inflamação por dentro da célula. Actuam muito depressa, sobretudo sobre a comichão, e têm um perfil de vigilância próprio |
O biológico com mais anos de utilização e maior amplitude de idades é o dupilumab, administrado com uma caneta, em casa, de forma espaçada. Não obriga a análises de rotina, não deixa a pessoa imunodeprimida no sentido clássico, e o efeito adverso mais falado é uma conjuntivite habitualmente ligeira. A melhoria é progressiva ao longo de semanas.
Uma nota sobre o que se lê em sites estrangeiros. Este campo está a mover-se depressa, e vários medicamentos novos para o eczema atópico — outros biológicos injectáveis e alguns cremes de classes recentes — aparecem em artigos internacionais e em redes sociais. Vários deles não existem em Portugal: não estão comercializados cá e não há forma de os obter em farmácia. Vale a pena saber que existem; não vale a pena adiar um tratamento disponível à espera de um que ainda não chegou.
A escolha depende da gravidade, da idade, de outras doenças, da preferência entre injecção e comprimido e da urgência em controlar a comichão. É uma decisão médica individualizada.
O medo do corticóide
Vale a pena parar aqui, porque é a maior causa isolada de eczema mal tratado.
O receio do “creme de cortisona” é muito comum — em doentes e em pais. O receio leva a aplicar pouco, a aplicar tarde e a parar cedo. O resultado é o oposto do pretendido: surtos mais longos, mais frequentes, e mais corticóide usado no total do ano.
O que é preciso saber:
- Um corticóide tópico bem escolhido — a potência certa para aquela zona e aquela idade, pelo tempo necessário — é seguro.
- A pele afinada, as estrias e os vasinhos que se associam a estes cremes vêm de uso inadequado: potência alta na cara, durante meses, sem supervisão. Não do uso correcto.
- Nas zonas de pele fina — cara, pálpebras, dobras — existem os inibidores da calcineurina, precisamente para não ter de usar corticóide de forma prolongada aí.
- Não tratar um surto é pior do que tratá-lo bem. A inflamação arrastada espessa a pele e perpetua a doença.
Se tem dúvidas sobre o creme que lhe foi prescrito, a conversa a ter é sobre como usá-lo.
Sinais de infecção — e o que é urgente
A pele com eczema infecta com mais facilidade. Há dois quadros a saber reconhecer.
Infecção bacteriana. As lesões passam a ter crostas cor de mel, ficam húmidas, doem mais do que coçam e podem cheirar mal. É frequente, trata-se bem, mas precisa de avaliação e habitualmente de antibiótico.
Infecção pelo vírus do herpes — isto é uma urgência. Sobre uma pele com eczema, o vírus do herpes pode alastrar depressa e de forma extensa. Os sinais que obrigam a procurar avaliação no próprio dia:
- Aparecimento rápido de dezenas de pequenas bolhas todas iguais, agrupadas
- Lesões que doem — dor, não comichão
- Pequenas feridas redondas, como se tivessem sido furadas com um saca-bocados
- Febre e mal-estar
- Um eczema que piora abruptamente sem explicação, sobretudo na cara
Não é para esperar pela consulta seguinte. É para ir ao serviço de urgência — tal como o eczema que se generaliza a quase toda a pele, com vermelhidão global, arrepios e sensação de doença. É raro, mas é grave.
Asma, rinite e alergias alimentares
O eczema atópico anda frequentemente acompanhado. Uma parte importante das crianças com eczema desenvolve asma e/ou rinite alérgica ao longo da vida — a sequência a que se chama “marcha atópica”. Existir eczema não garante que os outros venham; aumenta a probabilidade.
Sobre alimentos, a mensagem é firme e vai contra o que se lê em muitos sítios:
- As alergias alimentares são mais frequentes em quem tem eczema, sobretudo em crianças pequenas com doença grave. Isso é verdade.
- Mas o alimento raramente é a causa do eczema. Na esmagadora maioria dos casos, tratar bem a pele resolve sem mexer na alimentação.
- Eliminar alimentos sem prova clínica de alergia é ineficaz e é perigoso. Provoca carências nutricionais e, paradoxalmente, pode induzir alergia verdadeira quando o alimento é reintroduzido mais tarde.
- Se há suspeita real — reacção imediata e reprodutível depois de comer alguma coisa — investiga-se, com pediatria e imunoalergologia. Não por conta própria.
Quando a comichão é generalizada e não se encontra lesão de pele que a explique, o problema pode ser outro: ver prurido e comichão no corpo.
Quando consultar
Vale a pena procurar avaliação dermatológica se:
- O eczema não acalma com hidratação e com o que já lhe foi indicado
- A comichão tira o sono, a si ou à criança
- Os surtos são frequentes e a vida passou a organizar-se à volta deles
- Tem eczema nas mãos e isso interfere com o trabalho
- Aparecem crostas cor de mel, pus, ou a pele começa a doer — pode haver infecção
- Aparecem muitas bolhas iguais, dolorosas, com febre — isto é urgência, não consulta
- Anda a usar corticóide na cara há semanas sem reavaliação
- Suspeita que há uma substância de contacto envolvida (trabalho, cosmético, luvas)
- Quer perceber se o seu caso justifica tratamento além dos cremes
Na MyDermaCare, poderá realizar uma consulta de dermatologia online para avaliação e plano de tratamento, com resposta médica em até 24 horas úteis.
Perguntas Frequentes
O eczema atópico tem cura?
Não no sentido de eliminar a tendência de fundo. Mas uma parte importante das crianças melhora muito ou fica sem doença até à adolescência, e nos casos que persistem no adulto é hoje possível manter a pele calma durante longos períodos. A palavra certa é controlo, e o controlo é bom.
É contagioso?
Não. Não se transmite por contacto, por partilha de roupa, de toalhas ou de piscina. Nem a familiares, nem a companheiros.
Porque é que a comichão é pior à noite?
Porque à noite há menos distracção, a pele aquece dentro da cama e o ritmo natural do corpo baixa as defesas anti-inflamatórias próprias. Não é imaginação. Ajuda: quarto fresco, roupa de cama de algodão, emoliente antes de deitar, unhas curtas e luvas de algodão.
Posso tomar banho todos os dias?
Sim. Curto, com água morna, com um produto de limpeza suave e com emoliente aplicado logo a seguir, na pele ainda húmida. O que faz mal é o banho longo, quente, com sabão alcalino e sem hidratação a seguir.
Os cremes de cortisona estragam a pele?
Usados como devem ser — a potência adequada à zona e à idade, pelo tempo necessário — são seguros. Os problemas atribuídos a estes cremes vêm quase sempre do uso prolongado e sem supervisão, sobretudo na cara. Aplicar de menos por receio é o erro mais comum, e sai caro em surtos.
Tenho de cortar algum alimento?
Quase sempre não. As alergias alimentares são mais frequentes em quem tem eczema, mas raramente são a causa da doença. Cortar alimentos por precaução causa carências e pode induzir alergia na reintrodução. Só se investiga com suspeita clínica concreta, e com médico.
O stress provoca eczema?
Não sozinho. Agrava, e agrava de forma bem documentada — mas em cima de uma predisposição que já lá está. E funciona nos dois sentidos: a comichão tira o sono, a falta de sono agrava a pele.
O que é o “tratamento proactivo”?
É continuar a aplicar o creme anti-inflamatório algumas vezes por semana nas zonas que costumam ter eczema, mesmo quando a pele parece normal, em vez de esperar pelo surto seguinte. Espaça os surtos e, ao longo do ano, faz usar menos medicamento no total.
Existe alguma injecção para o eczema?
Existe uma família de medicamentos injectáveis — os biológicos — para as formas moderadas a graves que não se controlam com cremes. São administrados em casa, de forma espaçada, e mudaram o prognóstico de doentes que antes não tinham resposta. A indicação é avaliada caso a caso.
E os medicamentos novos que vejo em sites estrangeiros?
Alguns existem em Portugal, outros não. É um campo a mover-se depressa e nem tudo o que é aprovado noutros países está comercializado cá. Vale a pena perguntar em consulta o que está efectivamente disponível — e não adiar um tratamento acessível à espera de um que ainda não chegou.
Vou passar isto aos meus filhos?
A predisposição é herdável e o risco é maior se um ou ambos os pais tiverem eczema, asma ou rinite. Mas herdar a predisposição não é herdar a doença.
Quando é que tenho de ir à urgência?
Se aparecerem muitas bolhas pequenas, todas iguais, agrupadas e dolorosas, sobretudo com febre e sobretudo na cara — pode ser infecção pelo vírus do herpes sobre a pele com eczema, e isso é urgência. Crostas cor de mel e pus justificam avaliação, mas não da mesma forma.