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16 de maio de 2026  ·  Dermatologia

Problemas de Pele em Crianças: Guia para Pais

dermatologia pediátrica

Nenhuma parte do corpo de uma criança muda tanto, nem tão depressa, como a pele. Um recém-nascido chega ao mundo com uma pele fina, ainda a aprender a proteger-se, e ao longo dos primeiros anos vão aparecendo manchas, borbulhas, crostas e vermelhidões que assustam os pais — e que, na esmagadora maioria das vezes, são normais e passam sozinhas.

Este guia serve de mapa. Reúne as doenças de pele em crianças mais comuns, do bebé ao adolescente, organizadas por aquilo que o pai ou a mãe ao olhar para o filho. Para cada uma explica em poucas linhas o que é, se é grave e o que fazer, com ligação para o artigo dedicado sempre que quiser aprofundar. No fim ficam os sinais de alarme que obrigam mesmo a procurar ajuda.

Índice

A pele da criança é diferenteO recém-nascido: manchas e borbulhas quase sempre normaisAs doenças de pele mais comuns na infânciaInfecções de pele: borbulhas, feridas e comichãoManchas de nascença e outras manchasA pele do adolescenteSinais de alarme: quando é urgênciaCuidar da pele da criança em casaTratamentos: o que o médico usa (e o que evitar)Quando consultarPerguntas Frequentes

A pele da criança é diferente

A pele de uma criança não é uma versão em ponto pequeno da pele de um adulto. É mais fina, tem uma barreira de protecção ainda imatura e, em relação ao tamanho do corpo, uma superfície muito maior. Na prática, isto significa três coisas para os pais:

  • Absorve mais aquilo que se lhe põe em cima — por isso um creme ou um produto de adulto pode ter um efeito exagerado numa criança.
  • Reage mais — irrita-se e fica vermelha com facilidade, ao sabonete, ao frio, à saliva, ao suor.
  • Seca mais depressa, o que favorece o eczema.

A regra de ouro é simples: na pele da criança, quanto menos, melhor — poucos produtos, suaves, sem perfume, e nunca produtos pensados para adultos.

O recém-nascido: manchas e borbulhas quase sempre normais

Nas primeiras semanas, a pele do bebé faz coisas que parecem doença e não são. A grande maioria destas alterações é transitória e desaparece sem qualquer tratamento.

  • Eritema tóxico do recém-nascido — borbulhas vermelhas que assustam mas passam. Pequenas manchas e borbulhas vermelhas nos primeiros dias, sobretudo no tronco e na cara. É inofensivo e desaparece sozinho.
  • Melanose pustular transitória — bolhinhas frágeis à nascença. Rompem-se e deixam manchas escuras durante uns meses. Benigna.
  • Milia — pontos brancos minúsculos na cara (testa, nariz, queixo). São quistos superficiais que saem sozinhos. Não espremer.
  • Crosta láctea — escamas amareladas no couro cabeludo. Oleosas, sem comichão, muito comuns; resolvem ao longo dos primeiros meses.
  • Acne do bebé — pequenas borbulhas na cara. Ligadas às hormonas da mãe. Passam sozinhas.
  • Brotoeja (miliária) — borbulhas por calor. Aparecem quando o bebé está agasalhado a mais. Basta refrescar o ambiente e aliviar a roupa.

As manchas de nascença — incluindo os sinais vermelhos que crescem — têm uma secção própria mais abaixo.

As doenças de pele mais comuns na infância

Passada a fase de recém-nascido, há um pequeno grupo de problemas que aparece vezes sem conta — e que quase todos os pais vão conhecer.

  • Eczema (dermatite atópica) — pele seca que faz comichão. É a doença de pele crónica mais frequente da infância. A pele fica seca, áspera e com comichão, primeiro na cara e no couro cabeludo do bebé e, mais tarde, nas dobras dos cotovelos e dos joelhos. Controla-se muito bem com hidratação e tratamento dos surtos. Ver dermatite atópica no bebé, pele atópica e eczema e emolientes para pele atópica.
  • Dermatite das fraldas — vermelhidão na zona da fralda. Muito comum no primeiro ano; a pele irrita-se com o contacto da urina e das fezes. Melhora com trocas frequentes, arejar e um creme barreira. Quando não passa, pode ter um fungo por cima e precisar de creme próprio.
  • Dermatite seborreica — descamação e vermelhidão. No bebé é a crosta láctea; na criança e no adolescente aparece como caspa e vermelhidão nas sobrancelhas e nas dobras do nariz.
  • Urticária — vergões que aparecem e desaparecem. Manchas altas, rosadas, com comichão, que mudam de sítio ao longo de horas. Costuma ser uma reacção passageira a um vírus, a um alimento ou a um medicamento. Se surgir com inchaço da cara ou dificuldade a respirar, é urgência.
  • Dermatite de contacto — vermelhidão onde algo tocou. A pele reage a uma substância (saliva à volta da boca, metais, cosméticos, plantas) e fica vermelha e com comichão na zona do contacto.

Infecções de pele: borbulhas, feridas e comichão

Algumas erupções são causadas por micróbios e passam de criança para criança. Não são motivo de pânico, mas muitas precisam de tratamento e de cuidados para não contagiar.

  • Impétigo — feridas com crosta cor de mel. Infecção bacteriana muito comum, à volta do nariz e da boca. Começa numa pequena bolha ou ferida que seca formando uma crosta amarelada. É contagioso e precisa de ser visto (creme antibiótico ou, se for extenso, antibiótico oral); a criança deve faltar à escola nas primeiras horas de tratamento.
  • Molusco contagioso — bolinhas com uma covinha. Pequenas elevações cor da pele, brilhantes, com um ponto afundado no meio. São inofensivas e acabam por desaparecer sozinhas, embora demorem meses.
  • Verrugas — pequenos calos ásperos. Causadas por um vírus da pele, nas mãos e nos pés. Muitas desaparecem sozinhas com o tempo.
  • Tinha e outras micoses — placa redonda que cresce. Infecção por fungos, em forma de anel. Quando ataca o couro cabeludo faz cair o cabelo em placas e, atenção, os cremes não chegam: precisa de comprimido antifúngico receitado pelo médico.
  • Pé de atleta — pele a descamar entre os dedos. Fungo dos pés, frequente em crianças que praticam desporto e usam balneários.
  • Sarna — comichão intensa, sobretudo à noite. Causada por um ácaro, com borbulhas entre os dedos, nos pulsos e na barriga. Trata-se toda a família ao mesmo tempo.
  • Vesículas agrupadas (herpes). Um conjunto de pequenas bolhas de água sobre pele vermelha, sobretudo num bebé, exige avaliação urgente (ver sinais de alarme).

Manchas de nascença e outras manchas

  • Manchas e sinais de nascença — presentes à nascença. Sinais castanhos com que o bebé já nasce. A maioria é benigna; os maiores ou os que mudam de aspecto devem ser vigiados pelo dermatologista.
  • Hemangioma — o “sinal vermelho” que cresce. Uma mancha ou nódulo vermelho vivo que muitas vezes não está presente à nascença, aparece nas primeiras semanas e cresce durante alguns meses, para depois desaparecer lentamente ao longo dos anos. A maioria não precisa de nada, mas os que estão perto do olho, do nariz, dos lábios ou na zona da fralda devem ser vistos cedo, porque há tratamento eficaz quando é preciso.
  • Mancha “vinho do Porto” — mancha rosada plana. Já vem de nascença e, ao contrário do hemangioma, não cresce nem regride. Quando está na testa ou na pálpebra, deve ser avaliada.
  • Mancha mongólica — mancha azulada nas costas ou nádegas. Comum em bebés de pele mais escura, desaparece nos primeiros anos. Convém ficar registada no boletim para não ser confundida com uma nódoa negra.
  • Manchas cor de café (café-com-leite). Uma ou duas são muito comuns e sem importância. Várias manchas cor de café, sobretudo se houver casos na família, justificam avaliação, porque podem associar-se a uma doença hereditária chamada neurofibromatose.
  • Manchas brancas. Muitas vezes são pele seca depois de eczema, que clareia e melhora com hidratação. Manchas brancas bem delimitadas que aumentam podem ser vitiligo e devem ser vistas.

A pele do adolescente

Na puberdade, a pele muda outra vez: mais oleosa, mais suor, mais pêlo.

  • Acne — borbulhas e cravos. Atinge quase todos os adolescentes. Há tratamento eficaz para todos os graus e vale a pena tratar cedo para evitar marcas. Ver acne na adolescência.
  • Caspa e dermatite seborreica voltam a aparecer, no couro cabeludo e na cara.
  • Vitiligo (manchas brancas) e queda de cabelo em placas (alopécia areata) podem surgir nesta idade e beneficiam de avaliação precoce.
  • Nódulos dolorosos e recorrentes nas axilas ou virilhas são muitas vezes confundidos com “furúnculos” durante anos — quando se repetem, merecem ser vistos.

Sinais de alarme: quando é urgência

A maioria dos problemas de pele da criança não é grave. Mas há sinais que obrigam a procurar ajuda no próprio dia — e alguns a ligar de imediato para o 112:

  • Manchas vermelhas ou roxas que não desaparecem quando se carrega na pele (petéquias), sobretudo com febre e a criança prostrada. Ligar 112 de imediato — pode ser uma infecção grave.
  • Pequenas bolhas de água agrupadas num bebé, em especial no primeiro mês. Pode ser herpes, que num recém-nascido é perigoso — urgência no próprio dia.
  • Pele que se descola ou bolhas em grandes áreas, como se fosse uma queimadura — urgência hospitalar.
  • Erupção acompanhada de febre alta, mau estado geral, inchaço da cara ou dos lábios, ou dificuldade a respirar — urgência.
  • Feridas na boca e nos olhos ao mesmo tempo que uma erupção na pele — urgência.
  • Bebé muito irritável, prostrado ou que recusa mamar, com alterações da pele — avaliação urgente.

Para distinguir o banal do preocupante, ver sinais de alarme na pele.

Cuidar da pele da criança em casa

  • Banho curto e com água morna, sem esfregar. Nas primeiras semanas o sabonete quase não é preciso; quando se usa, deve ser suave e sem perfume.
  • Hidratar logo a seguir ao banho, com a pele ainda húmida, sobretudo se houver tendência para eczema.
  • Nada de produtos de adulto — perfumes, ácidos e retinóides não são para crianças.
  • Fralda: trocar assim que estiver suja, limpar com água ou toalhitas suaves sem álcool e usar um creme barreira.
  • Sol: nos primeiros meses, proteger sobretudo com sombra, roupa e chapéu, evitando as horas de maior calor; a partir daí, protector solar próprio para crianças (mineral). Ver protector solar para crianças e fotoprotecção completa. Uma queimadura solar na infância conta para o risco futuro.

Tratamentos: o que o médico usa (e o que evitar)

Os tratamentos existem e são seguros quando bem orientados. O importante é que a escolha do produto, a força e o tempo de uso são sempre decisão médica — na criança, mais ainda do que no adulto.

  • Cremes com corticóide são o tratamento de base do eczema em surto. Bem usados — a força certa, durante o tempo certo, na zona certa — são seguros, mesmo na cara do bebé. O erro é usar cremes fortes, por conta própria e durante muito tempo, em zonas finas como a cara.
  • Cremes imunomoduladores (da família dos inibidores da calcineurina) são úteis na cara e nas dobras, sem afinar a pele.
  • Antibióticos: os do grupo das tetraciclinas não se usam em crianças pequenas porque mancham os dentes de forma permanente. Quando é preciso um antibiótico oral, o médico escolhe outra família.
  • Tinha do couro cabeludo precisa mesmo de antifúngico em comprimido — os cremes sozinhos não curam.
  • Casos graves de eczema, psoríase ou queda de cabelo têm hoje medicamentos biológicos (injectáveis dirigidos à inflamação), que mudaram o prognóstico destas crianças. Alguns já estão aprovados a partir dos primeiros anos de vida.

Quando consultar

A dermatologia pediátrica existe justamente para orientar os pais entre o normal e o preocupante. Vale a pena procurar o dermatologista quando: um eczema não melhora com os cuidados de base; há uma mancha de nascença grande ou que muda; um sinal vermelho (hemangioma) está a crescer perto do olho, do nariz ou da boca — idealmente ainda nas primeiras semanas; aparecem várias manchas cor de café; há queda de cabelo em placas; a acne está a deixar marcas; ou uma lesão persiste sem explicação. Perante os sinais de alarme acima, o caminho é a urgência.

Na MyDermaCare, poderá realizar uma consulta de dermatologia online: responde a um questionário médico, submete fotografias e recebe em até 24 horas úteis um relatório dermatológico com plano de tratamento personalizado adaptado à idade do seu filho.

Perguntas Frequentes

A maioria dos problemas de pele das crianças é grave?

Não. A esmagadora maioria é benigna e passa sozinha ou com cuidados simples. Este guia serve justamente para reconhecer o que é normal e identificar os poucos sinais que exigem avaliação urgente.

Posso usar os meus cremes e produtos no meu filho?

Não. Os produtos de adulto têm perfumes, conservantes, ácidos e concentrações que a pele fina da criança absorve em excesso e a que reage com facilidade. Use produtos próprios para crianças, sem perfume, e o mínimo possível — sobretudo no recém-nascido.

Posso pôr corticóide na pele de um bebé?

Sim, quando é o médico a indicar. Um creme de corticóide suave, na zona e durante o tempo certos, é seguro e muitas vezes mais seguro do que deixar o eczema descontrolado. O erro é usar cremes fortes, por conta própria e durante muito tempo em zonas finas como a cara.

O eczema do meu filho vai desaparecer?

Na maioria das crianças que começam cedo, o eczema melhora muito ou desaparece até à idade escolar. Uma minoria mantém formas mais ligeiras, mas hoje há como controlar bem a doença em qualquer idade.

Quando é que uma erupção na pele é uma emergência?

Quando há manchas roxas que não desaparecem ao carregar na pele (sobretudo com febre), bolhas de água agrupadas num bebé, pele a descolar em grandes áreas, ou uma erupção com febre alta, inchaço da cara ou dificuldade a respirar. Nestes casos, urgência ou 112 de imediato.

Várias manchas cor de café são motivo de preocupação?

Uma ou duas são banais. Justificam avaliação médica quando são várias, sobretudo se houver casos na família, porque podem associar-se a uma doença hereditária (neurofibromatose). O diagnóstico precoce permite acompanhar a criança.

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