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18 de janeiro de 2026  ·  Dermatologia

Pé de Atleta: Sintomas, Tratamento e Como Evitar que Volte

pé de atleta tinea pedis no pé

Comichão e ardor entre os dedos dos pés. A pele fica branca, amolecida, a desfazer-se, e às vezes racha ao fundo da prega. Pode haver mau cheiro. É o quadro típico do pé de atleta (em termos médicos, tinea pedis — a micose da pele dos pés), e, apesar do nome, não é preciso praticar desporto para o apanhar: basta o pé passar o dia fechado, quente e húmido dentro do sapato.

Duas coisas convém saber logo à partida. A maioria dos casos resolve-se com um antifúngico em creme comprado na farmácia — não são precisos comprimidos para quase nada. E volta com muita facilidade se, depois de curar a pele, não se secar bem entre os dedos e não se tratar o calçado, que guarda o fungo durante meses.

Este artigo explica como se reconhece, porque é que o pé de atleta entre os dedos não se trata da mesma maneira que o da planta, o que existe para tratar, o que fazer quando parece que não resulta, e como evitar que volte.

Índice

O que é o pé de atletaComo se reconheceEntre os dedos ou na planta? Não é a mesma coisaO que se confunde com pé de atletaComo se faz o diagnósticoComo se trataQuando parece que não resultaO fungo da unha reinfecta o péEvitar que volteDiabetes: porque é diferenteNão usar corticoide sozinhoQuando consultarPerguntas Frequentes

O que é o pé de atleta

O pé de atleta é uma infecção da pele dos pés por um fungo. O fungo alimenta-se da queratina — a camada mais superficial da pele — e gosta de três coisas que o pé fechado lhe dá em abundância: calor, humidade e escuridão. Por isso é mais frequente no verão, em quem transpira muito dos pés e em quem usa calçado fechado o dia inteiro.

Faz parte da família das tinhas e micoses da pele, causadas pelos mesmos fungos que dão a micose da virilha ou do corpo — mudam apenas de sítio. No pé, o parceiro mais frequente é o fungo da unha: muitas vezes andam os dois juntos, e a unha infectada é o que faz o pé de atleta voltar sempre (mais à frente explico porquê).

É contagioso, mas não se apanha de qualquer maneira. Passa-se por contacto com escamas de pele deixadas no chão — balneários, duches comunitários, bordas de piscina, tapetes — e pelo que se partilha: toalhas, chinelos, meias, calçado. O fungo sobrevive meses num sapato ou numa palmilha, e é por isso que tratar só a pele, e deixar o calçado como está, quase garante que volta.

Como se reconhece

Os sinais mais comuns são:

  • Comichão e ardor, sobretudo entre os dedos.
  • Pele a descamar, branca e amolecida, que se desfaz ou “esfarela”.
  • Fissuras — rachas no fundo da prega entre os dedos, que podem doer.
  • Bolhas pequenas, sobretudo na planta ou no bordo do pé.
  • Mau cheiro, quando há pele macerada e uma bactéria por cima.

Costuma começar entre os dedos, em especial nos dois últimos (junto ao dedo pequeno), que são os mais apertados e onde fica mais humidade. A partir daí pode espalhar-se para a planta e para os lados do pé.

Nem sempre há comichão. Há uma forma que se limita a descamar a planta, muito discreta, que passa despercebida durante anos porque se confunde com pele seca — e é precisamente essa que trato na secção seguinte.

Entre os dedos ou na planta? Não é a mesma coisa

Onde o pé de atleta se instala muda o tratamento e o tempo que demora a resolver. Há três formas principais.

Entre os dedos (a mais comum). A pele fica branca, amolecida e a descamar no fundo da prega, com comichão e, às vezes, fissuras. Nesta forma um antifúngico em creme costuma bastar, desde que se seque bem a zona. Sinal de alerta: se ficar esverdeado, muito húmido e com cheiro forte, é sinal de que uma bactéria se instalou por cima, e pode ser preciso mais do que o antifúngico.

Na planta e no calcanhar (a forma “em mocassino”). Aqui a pele fica seca, a descamar como farinha, cobrindo a planta e os bordos como se fosse a marca de um sapato. Engana toda a gente, porque parece apenas pele seca e trata-se com hidratante durante meses sem melhorar. É a forma mais difícil: o creme antifúngico penetra mal nesta pele espessa, demora muito mais e muitas vezes precisa de comprimido. É também a que anda quase sempre acompanhada de fungo na unha.

Com bolhas (a forma aguda). Surgem bolhas no arco ou no bordo do pé, com muita comichão e inflamação. É a mais aparatosa, e a que mais se confunde com eczema. Por vezes provoca também bolhas de reacção nas mãos, sem que haja fungo nas mãos — desaparecem sozinhas quando se trata o pé.

O que se confunde com pé de atleta

Nem tudo o que descama ou faz comichão nos pés é fungo. Confundem-se com pé de atleta, e não melhoram com antifúngico:

O que éO que faz suspeitar
Eczema (disidrótico)Bolhas pequenas e muito pruriginosas no arco e nos lados dos dedos, muitas vezes também nas mãos
Psoríase da plantaPlacas bem delimitadas, com descamação espessa e esbranquiçada, geralmente nos dois pés e simétrica; pode haver psoríase noutras zonas ou alterações nas unhas
Dermatite de contactoVermelhidão e descamação no dorso do pé, na zona que toca no calçado, poupando os espaços entre os dedos
Pele seca e calosidadesDescamação sem comichão, sobretudo no calcanhar; ver calos nos pés

A regra de ouro é simples: antes de pôr uma pomada de corticoide num pé que descama, é preciso ter a certeza de que não é fungo — porque o corticoide, nesse caso, piora. Volto a este ponto mais à frente.

Como se faz o diagnóstico

Muitas vezes o aspecto basta ao médico para reconhecer. Quando há dúvida, ou quando o tratamento não está a resultar, confirma-se de forma simples: raspa-se um pouco das escamas da zona afectada e olha-se ao microscópio, o que dá uma resposta rápida (diz se há fungo, mas não diz qual). Pode ainda pôr-se o material a crescer em cultura, que demora mais tempo mas identifica o fungo em causa — útil quando o caso não cede ou quando se suspeita de um fungo resistente.

Esta confirmação é sobretudo importante antes de tomar comprimidos, e para distinguir o pé de atleta das doenças que se lhe parecem. A dermatoscopia também ajuda a separar, por exemplo, a forma da planta de uma psoríase.

Como se trata

Na maioria dos casos, um antifúngico em creme resolve. Aplica-se na zona afectada e um pouco à volta, com a pele bem seca, e — este é o erro mais comum — continua-se a aplicar depois de a pele parecer curada. Parar assim que a comichão passa é a razão número um de o pé de atleta voltar poucas semanas depois: o fungo ainda lá está, mesmo sem sintomas.

Alguns pontos práticos:

  • Secar muito bem antes de aplicar, sobretudo entre os dedos. A humidade é o que alimenta o fungo, e é a medida que mais pesa no resultado.
  • Na forma da planta, além do creme é preciso amaciar a pele grossa para o antifúngico conseguir penetrar; e é frequente ter mesmo de se passar ao comprimido.
  • Não usar corticoide sozinho (as pomadas “para acalmar a comichão”) — pioram o fungo, como explico abaixo.

O antifúngico oral (em comprimido) fica reservado para os casos que o creme não resolve: quando é extenso, quando é a forma da planta que não cede, quando há fungo na unha ao mesmo tempo, quando volta uma e outra vez, ou em pessoas com diabetes ou com as defesas em baixo. Os comprimidos não são inócuos: podem exigir análises ao fígado e interferir com outros medicamentos que a pessoa já toma, por isso a decisão, o esquema e a duração são do médico — não é tratamento para começar por conta própria.

Quando parece que não resulta

Se um tratamento bem feito não resolveu, a resposta não é repetir o mesmo durante mais tempo. Vale a pena reabrir três perguntas:

  • Era mesmo fungo? Boa parte das “micoses” que não melhoram afinal são outra coisa — eczema, psoríase, dermatite de contacto. É aqui que confirmar em laboratório compensa.
  • Foi bem cumprido? Parar cedo, ou não secar os pés, faz falhar o melhor dos tratamentos.
  • A fonte foi tratada? Uma unha com fungo, ou o calçado contaminado, reinfectam a pele em poucas semanas.

Há ainda uma quarta hipótese: existe um tipo de fungo que já não responde ao antifúngico habitual e que se tem espalhado. Por isso, quando um tratamento correcto e bem cumprido falha, faz sentido identificar o fungo no laboratório antes de assumir que a pessoa não fez as coisas como devia.

O fungo da unha reinfecta o pé

Esta é a razão mais comum de o pé de atleta voltar sempre. Enquanto uma unha estiver infectada, funciona como um reservatório: liberta fungo continuamente e volta a semear a pele à volta, mesmo depois de a pele ter sarado. Tratar a pele e deixar a unha é trabalho a meio.

Por isso, quando há fungo na unha ao mesmo tempo, as duas coisas tratam-se em conjunto. A pele responde a um creme; a unha, quase sempre, exige um tratamento mais prolongado e frequentemente por via oral, porque os produtos aplicados por fora chegam mal ao fungo que vive por baixo da unha. Os pormenores do tratamento da unha estão no artigo dedicado.

Evitar que volte

A recidiva é frequente, e evita-se sobretudo atacando a humidade e a fonte:

  • Secar bem os pés, com atenção especial aos espaços entre os dedos — a medida isoladamente mais eficaz.
  • Tratar o calçado, que guarda o fungo durante meses: pó antifúngico por dentro, alternar pares para cada um secar bem, e trocar as palmilhas depois da cura.
  • Meias que afastem a humidade, trocadas todos os dias e lavadas a temperatura alta.
  • Chinelos em balneários, piscinas, ginásios e hotéis — nunca de pé descalço.
  • Tratar ao mesmo tempo o fungo da unha, se existir — é a causa número um de reinfecção.
  • Controlar o suor excessivo dos pés, se for o caso (hiperidrose).
  • Não partilhar toalhas, chinelos nem corta-unhas.

Diabetes: porque é diferente

Em quem tem diabetes, o pé de atleta deixa de ser um problema apenas de pele. As fissuras entre os dedos e a pele macerada são uma porta de entrada para bactérias, e num pé com a sensibilidade reduzida e a circulação comprometida uma pequena infecção pode evoluir depressa para uma infecção séria da pele e da perna.

Por isso, em quem tem diabetes: tratar cedo, não deixar arrastar, examinar os pés com regularidade e nunca tratar por conta própria feridas ou fissuras. Qualquer vermelhidão que alastra, inchaço, calor, dor a aumentar ou febre é sinal para procurar ajuda sem esperar.

Não usar corticoide sozinho

É um erro muito comum e vale a pena isolá-lo. As pomadas de corticoide — as que “acalmam a comichão e a vermelhidão” — aliviam durante uns dias, mas baixam as defesas locais da pele e deixam o fungo multiplicar-se e espalhar-se. O resultado é um pé de atleta com aspecto diferente do habitual, mais extenso e mais difícil de reconhecer, que engana e atrasa o diagnóstico certo durante semanas.

A conclusão prática: antes de pôr corticoide num pé que descama ou faz comichão, é preciso ter a certeza de que não é fungo. Na dúvida, é a confirmação em laboratório que decide.

Quando consultar

Justificam uma avaliação:

  • Dúvida sobre se é mesmo pé de atleta ou outra coisa.
  • A forma da planta, com descamação persistente que não cede a cremes.
  • Bolhas extensas ou dor importante.
  • Reacção nas mãos (bolhas com comichão) acompanhando o pé.
  • Fungo na unha ao mesmo tempo.
  • Recidiva depois de um tratamento aparentemente bem feito.
  • Diabetes, má circulação ou defesas em baixo, com qualquer alteração dos pés.
  • Sinais de infecção bacteriana — vermelhidão que alastra, inchaço, calor, exsudado ou febre. Não esperar.

Idealmente antes de começar corticoide, porque uns dias de pomada podem mascarar o quadro e impedir a confirmação durante muito tempo.

Na MyDermaCare, poderá realizar uma consulta de dermatologia online: responde a um questionário médico, submete fotografias e recebe em até 24 horas úteis um relatório dermatológico com plano de tratamento personalizado e orientação para prevenir a recidiva.

Perguntas Frequentes

Pé de atleta é contagioso?

Sim. Apanha-se por contacto com escamas de pele deixadas em chãos húmidos — balneários, duches, bordas de piscina — e pela partilha de toalhas, chinelos, meias e calçado. O fungo sobrevive meses num sapato. Usar chinelos próprios nas zonas comuns, não partilhar toalhas e lavar as meias a temperatura alta reduzem muito o risco.

Quanto tempo demora a melhorar?

Com um antifúngico em creme, a comichão costuma aliviar em poucos dias e a pele recupera ao fim de algumas semanas. O importante é continuar a aplicar depois de parecer curado — parar cedo é a principal causa de recaída. A forma da planta demora bastante mais e é a que mais vezes precisa de comprimido.

Posso ir à piscina ou ao ginásio?

Pode, usando chinelos nas zonas comuns e secando muito bem os pés depois. O ideal é evitar andar descalço para não transmitir a outras pessoas, e passar pó antifúngico no calçado após cada utilização.

Volta sempre?

Não, mas recidiva com facilidade se a causa não for atacada. As razões habituais são não secar bem entre os dedos, o calçado e as palmilhas contaminados, e sobretudo um fungo na unha que não foi tratado ao mesmo tempo. A prevenção depois da cura conta tanto como o tratamento.

Tenho fungo na unha e pé de atleta ao mesmo tempo — como trato?

Tratam-se as duas coisas em conjunto, senão a unha volta a infectar a pele em poucas semanas. A pele responde a um creme; a unha exige quase sempre um tratamento mais prolongado. Tratar só uma das duas é desperdiçar o esforço.

Sou diabético — é urgente?

Não é uma urgência imediata, mas merece ser visto depressa e vigiado de perto, porque as fissuras podem abrir caminho a infecções sérias do pé. Torna-se urgente se houver vermelhidão a alastrar, inchaço, calor, dor crescente ou febre.

Uma pomada para a comichão resolve?

Se for uma pomada de corticoide, não — alivia por uns dias mas faz o fungo espalhar-se e disfarça o quadro, atrasando o diagnóstico. O que trata o pé de atleta é um antifúngico, não um corticoide. Na dúvida sobre o que se está a aplicar, vale a pena confirmar.

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