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16 de maio de 2026  ·  Dermatologia

Verrugas: Tipos, Como se Pega e Como Tirar

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Apareceu uma pele dura e áspera no dedo. Ou um ponto que dói quando pisa, na planta do pé, e que parece um calo mas não é. As perguntas são sempre as mesmas: o que é isto, onde é que apanhei, passa aos outros, sai sozinha, e como se tira.

As verrugas são causadas por um vírus — o HPV, o vírus do papiloma humano. Por isso também lhes chamam verrugas víricas. São muito comuns, sobretudo em crianças e adolescentes, e quase sempre inofensivas: incomodam pelo aspecto, pela dor quando estão na planta do pé, e pela facilidade com que se multiplicam.

Índice

O que são verrugasComo se pega uma verrugaOs tipos de verrugas — qual é a suaNem tudo o que parece verruga é verrugaSai sozinha ou tenho de tratar?Tirar com frio: a crioterapiaTratar em casa: o ácido salicílicoQuando é preciso ir mais longeVerrugas à volta das unhasO que não funcionaComo evitar apanhar e espalharQuando consultarPerguntas Frequentes

O que são verrugas

Uma verruga é um espessamento da camada superficial da pele provocado por um vírus. O HPV entra por fissuras minúsculas, invisíveis a olho nu, e infecta as células da base da epiderme. Essas células passam a multiplicar-se mais depressa do que deviam, e o resultado é a saliência dura e rugosa que se vê e se sente.

Existem mais de duas centenas de tipos de HPV, e não são todos iguais. Há duas famílias muito diferentes: os HPV da pele, responsáveis pelas verrugas das mãos, dos pés, dos joelhos e da cara — são os deste artigo —, e os HPV das mucosas, responsáveis pelas verrugas genitais, que se transmitem por via sexual e cujo acompanhamento é outro.

Vale a pena sublinhar, porque é uma angústia frequente em consulta: uma verruga na mão não é a mesma coisa que uma verruga genital. São vírus da mesma família, mas com preferências diferentes, e a passagem de uma região para a outra é rara.

Um pormenor útil: quando a verruga cresce, comprime os pequenos vasos que estão por baixo. Esses vasos coagulam e ficam visíveis à superfície como pontinhos pretos, que muita gente toma por “raízes” ou sujidade. Não são raízes — são vasos —, mas são o sinal que mais ajuda a identificar uma verruga.

Como se pega uma verruga

O vírus passa de três maneiras:

  • Pele com pele — apertar a mão de quem tem verrugas, andar descalço ao lado de quem tem uma verruga plantar, desportos de contacto.
  • Por superfícies — chão do balneário, tapete da piscina, toalhas, chinelos, calçado partilhado, material de manicure e pedicure mal esterilizado.
  • De si para si próprio — a via mais subestimada. Quem coça, rói, corta ou espreme uma verruga espalha o vírus na sua própria pele. Daí as verrugas em fila à volta da primeira, e as verrugas nos lábios de quem rói as unhas.

Duas coisas aumentam muito o risco: a pele macerada (mãos molhadas, pés depois da piscina) e as micro-feridas — eczema das mãos, pele muito seca, cortes do barbear, depilação.

E há um pormenor que explica muita confusão: entre apanhar o vírus e ver a verruga passam semanas a meses. Quando a lesão aparece, a origem já não é identificável. Não vale a pena procurar culpados.

Quem tem as defesas em baixo — transplantados, pessoas em quimioterapia ou em medicação que trava o sistema imunitário — desenvolve verrugas em maior número, mais extensas e muito mais difíceis de tratar. Nestas pessoas, qualquer verruga que mude de aspecto, sangre ou abra uma ferida tem de ser observada.

Os tipos de verrugas — qual é a sua

O tipo importa porque muda o tratamento.

Verrugas vulgares (as das mãos). As mais comuns. Saliência firme e áspera, acinzentada, com os tais pontinhos pretos ao centro. No dorso das mãos, nos dedos, nos joelhos e nos cotovelos. Podem juntar-se num aglomerado com aspecto de couve-flor.

Verrugas plantares (as dos pés). Nos pontos onde se faz peso: calcanhar e base dos dedos. Como o peso do corpo as empurra para dentro, crescem para o interior — daí doerem a pisar. Ou são uma verruga única e profunda, que dói quando se aperta de lado, ou uma placa larga feita de muitas verrugas pequenas coladas umas às outras, geralmente menos dolorosa.

Verrugas planas. Pequenas, lisas, mal se elevam da pele. Aparecem muitas de uma vez, na cara e no dorso das mãos, sobretudo em crianças e jovens. É frequente ficarem alinhadas numa risca — sinal de que foram espalhadas por um arranhão.

Verrugas filiformes. Finas e alongadas, como um pequeno dedo espetado na pele, na cara e no pescoço. Confundem-se com pápulas e com os acrocórdones — os pequenos “sacos” de pele moles do pescoço e das axilas, que não são verrugas nem têm origem vírica.

Verrugas à volta das unhas. Muito ligadas ao hábito de roer as unhas ou a pele à volta. São as mais teimosas, e têm secção própria mais abaixo.

Verrugas genitais. Uma infecção sexualmente transmissível, causada por tipos de HPV diferentes dos da pele. A abordagem é outra, e não se tratam com o que se compra na farmácia para as mãos.

Onde estáComo éO que se costuma fazer
Mãos, dedos, joelhosDura, áspera, com pontinhos pretosFrio na consulta e/ou ácido em casa
Planta do péCresce para dentro, dói a pisarÁcido com oclusão, frio; casos difíceis exigem mais
Cara, dorso das mãos (planas)Muitas, pequenas, lisasTratamentos suaves; nunca métodos agressivos na cara
Cara (filiformes)Fina, alongada, pediculadaRemoção na consulta, com anestesia local
À volta da unhaIrregular, pode meter-se sob a unhaAbordagem faseada e cuidadosa
GenitalRosada, em couve-florConsulta própria — não é o mesmo problema

Nem tudo o que parece verruga é verruga

Toda a verruga é HPV? Não. Muita coisa a que se chama “verruga” na linguagem do dia-a-dia não é uma verruga vírica:

  • Calos e calosidades — a confusão número um nos pés. O calo é pele engrossada por pressão, não tem pontinhos pretos e as linhas da pele passam por cima dele; na verruga, as linhas ficam interrompidas.
  • Queratose seborreica — lesão benigna com aspecto de estar “colada” à pele. A maior parte das “verrugas da idade” são isto.
  • Acrocórdones — os “sinais de pele” moles e pendurados.
  • Molusco contagioso — outra infecção vírica, típica das crianças, com bolinhas brilhantes e uma covinha ao centro, sem aspereza.
  • Pé de atleta na planta do pé — descamação seca e difusa, sem pontinhos pretos.
  • Queratose actínica — as manchas ásperas do sol, em pele muito exposta.
  • E, no extremo oposto e por isso o mais importante: um cancro da pele, que pode começar por parecer exactamente uma verruga que não sai.

O dermatologista distingue com dermatoscopia — um aparelho que amplia e ilumina a pele — e, se a dúvida persistir, com uma biópsia, a única forma de ter a certeza.

Sai sozinha ou tenho de tratar?

As verrugas saem sozinhas com frequência. Em crianças, cerca de metade desaparece ao fim de uns dois anos, e a maioria ao fim de três, sem tratamento nenhum, à medida que o sistema imunitário aprende a reconhecer o vírus. Em adultos é mais lento e menos previsível.

Ou seja: esperar é uma opção legítima, sobretudo numa criança, com uma verruga pequena, que não dói e não está à vista.

Há razões claras para não esperar: quando dói, quando está a multiplicar-se, quando está à vista e incomoda, quando está à volta de uma unha, quando a pessoa tem as defesas em baixo ou uma profissão de contacto. E quando a pessoa simplesmente quer tratar — é uma razão válida, e o desconforto de andar com verrugas nas mãos não é uma futilidade.

Há uma situação em que não se trata sem antes se olhar bem: uma lesão verrucosa única, num adulto, numa zona apanhada pelo sol, que cresce, sangra ou não sara. Aí o primeiro passo não é queimar — é observar e, se necessário, biopsar.

Tirar com frio: a crioterapia

É o tratamento mais usado na consulta. Aplica-se azoto líquido — um líquido a temperatura muito baixa — sobre a verruga e um pouco de pele à volta. O frio destrói as células infectadas.

O que esperar: arde durante a aplicação e nas horas seguintes, e é esse o principal motivo por que se evita em crianças pequenas. Costuma formar-se depois uma bolha, por vezes com sangue dentro — é esperado, e não se deve rebentar de forma agressiva. Segue-se uma crosta, que cai. Pode ficar temporariamente uma mancha mais clara ou mais escura, sobretudo em peles morenas.

Não é uma sessão única. Repete-se de poucas em poucas semanas, e são precisas várias sessões — o número depende do tipo, do tamanho e do sítio. As plantares profundas e as das unhas respondem pior. Se ao fim de várias sessões bem feitas não houver melhoria nenhuma, o correcto não é insistir mais do mesmo: é mudar de estratégia.

Tratar em casa: o ácido salicílico

O ácido salicílico aplicado na pele é o tratamento caseiro com melhor evidência, e vende-se nas farmácias em solução, verniz ou penso. Funciona por desgaste, dissolvendo camada a camada a pele engrossada da verruga.

Na prática:

  1. Amolecer a verruga em água morna uns minutos.
  2. Limar de leve a superfície com uma lima descartável, só sua, que não volta a tocar em pele sã.
  3. Aplicar só na verruga — proteger a pele à volta com vaselina evita irritação desnecessária.
  4. Tapar com um penso: a oclusão faz o produto penetrar melhor.
  5. Repetir todos os dias, durante semanas ou meses.

Duas notas honestas. Bem feito e com persistência, o resultado é comparável ao do frio, e é praticamente indolor — por isso é o tratamento de eleição nas crianças. E o que faz falhar este tratamento é quase sempre a desistência: é diário e longo, e é preciso saber isso à partida.

Não se aplica na cara, nem em mucosas, nem em pele ferida. Em pessoas com diabetes ou má circulação nas pernas, nada de tratar os pés por conta própria — é uma situação em que uma pequena ferida pode ter consequências sérias.

Quando é preciso ir mais longe

Quando as verrugas resistem, são muitas ou estão em zonas delicadas, há outras opções, todas decididas caso a caso em consulta:

  • Um creme que estimula as defesas locais (imiquimod) — em vez de destruir a verruga, chama o sistema imunitário ao sítio. Útil sobretudo nas verrugas planas. Provoca vermelhidão e irritação, que fazem parte do efeito.
  • Medicamentos injectados na própria verruga — para verrugas resistentes e graves, sobretudo plantares profundas. São dolorosos e só se fazem em contexto clínico.
  • Laser — vaporiza a lesão ou actua sobre os vasos que a alimentam. Com anestesia local, e com risco de cicatriz e de recidiva.
  • Raspagem com cauterização — boa opção nas filiformes da cara e em verrugas isoladas. Deixa cicatriz pequena.
  • Cirurgia — última linha, para casos muito específicos ou quando há suspeita de que a lesão não é uma verruga.

Nenhum destes é “o melhor”. A escolha depende do tipo, do sítio, da idade, da dor que a pessoa tolera e do que já se tentou — e é uma decisão médica.

Uma nota sobre o que vai encontrar em sites estrangeiros: a cantaridina, um líquido aplicado no consultório que provoca uma bolha e não dói a aplicar, aparece muito em artigos brasileiros e americanos sobre verrugas e molusco. Não está disponível em Portugal. Se leu sobre ela e ia pedi-la na farmácia, é este o motivo por que não a encontra — e há alternativas cá que resultam.

Verrugas à volta das unhas

Merecem tratamento à parte por três razões: são das mais resistentes, podem crescer por baixo da unha, e o tratamento agressivo no sítio errado pode danificar de forma permanente a matriz — a fábrica da unha, escondida sob a pele na base. Uma matriz danificada dá uma unha deformada para sempre.

Por isso a abordagem é faseada e paciente: começa-se pelo mais suave (o ácido, com oclusão, poupando a prega da base da unha), passa-se ao frio aplicado com precisão e longe da matriz, e só depois se consideram opções mais agressivas. A cirurgia é o último recurso.

E há um ponto sem o qual nada disto resulta: enquanto se roerem as unhas ou a pele à volta, as verrugas voltam. Interromper o hábito faz parte do tratamento.

O que não funciona

  • Fita adesiva — a ideia circula há anos, mas os estudos são contraditórios e a evidência é fraca. Pode tentar-se numa criança como complemento do ácido; não substitui nada.
  • Alho, vinagre, cebola, casca de banana, lixívia — sem qualquer suporte. A lixívia e o vinagre em aplicações repetidas provocam queimaduras químicas.
  • Queimar, cortar ou espremer em casa — espalha o vírus à volta, pode infectar, e nas unhas pode deformá-las.
  • Remédios que prometem “arrancar a raiz” — as verrugas não têm raiz. Os pontinhos pretos são vasos coagulados. Não há nada para arrancar.

Como evitar apanhar e espalhar

  • Chinelos no balneário, na piscina e no ginásio.
  • Não partilhar toalhas, limas, corta-unhas nem calçado.
  • Manicure e pedicure com material próprio ou devidamente esterilizado.
  • Não roer as unhas nem a pele à volta; não barbear por cima de uma verruga.
  • Tapar a verruga durante o desporto e no banho comum.
  • Tratar cedo as verrugas de quem vive na mesma casa.
  • Manter a pele hidratada: pele gretada é porta de entrada.

Sobre a vacina contra o HPV: está incluída no Programa Nacional de Vacinação e foi feita para prevenir os cancros associados ao HPV e as verrugas genitais. Há dados que sugerem que quem foi vacinado tem também menos verrugas comuns da pele, provavelmente por protecção cruzada — mas não é essa a razão pela qual a vacina se dá, e não é tratamento para quem já as tem.

Quando consultar

Justificam avaliação dermatológica:

  • Verrugas que doem ou que atrapalham a marcha.
  • Verrugas que se multiplicam ou crescem.
  • Verrugas à volta das unhas, na cara ou na região genital.
  • Verrugas que não respondem a alguns meses de tratamento bem feito.
  • Verrugas em quem tem diabetes, má circulação ou defesas em baixo.
  • Qualquer lesão parecida com uma verruga, num adulto, que apareceu de novo numa zona apanhada pelo sol — sobretudo se cresce depressa, sangra, abriu uma ferida ou tem cores diferentes dentro dela. Não esperar.

Nas crianças a abordagem é deliberadamente menos agressiva: privilegia-se esperar e tratar sem dor, e reserva-se a consulta para os casos extensos, dolorosos ou que estejam a incomodar a criança — a dermatologia pediátrica tem regras próprias. Para outros sinais que merecem atenção, veja o guia de sinais de alarme da pele.

Na MyDermaCare, poderá realizar uma consulta de dermatologia online: responde a um questionário médico, submete fotografias e recebe em até 24 horas úteis um relatório dermatológico com orientação para o seu caso.

Perguntas Frequentes

Como se pega uma verruga?

Por contacto directo com a pele de quem tem uma, por superfícies partilhadas (chão do balneário, toalhas, chinelos, material de manicure) e por se espalhar a partir de uma verruga que já tem, ao coçar, roer ou cortar. O contágio é mais fácil com a pele molhada ou com pequenas feridas. Entre apanhar o vírus e ver a verruga passam semanas a meses, e por isso raramente se descobre onde foi.

Toda a verruga é HPV?

Não. Os calos dos pés, as queratoses seborreicas (as “verrugas da idade”), os pequenos sinais de pele moles do pescoço e o molusco contagioso das crianças não são verrugas víricas. As verrugas propriamente ditas — vulgares, plantares, planas, filiformes, das unhas e genitais — são causadas pelo HPV. Distinguir é tarefa da consulta, não do espelho.

As verrugas saem sozinhas?

Muitas vezes. Em crianças, cerca de metade desaparece ao fim de uns dois anos, e a maioria ao fim de três, sem tratamento. Em adultos é mais lento e menos previsível. Esperar é razoável quando a verruga é pequena, não dói e não está à vista; tratar justifica-se quando dói, se multiplica, está numa zona sensível ou incomoda.

Como se tira uma verruga?

Os dois pilares são o frio aplicado na consulta, em várias sessões espaçadas, e o ácido salicílico aplicado em casa todos os dias durante semanas. Em resultado são comparáveis: o frio é mais rápido mas dói, o ácido é indolor mas exige persistência. Quando não chegam, há cremes que estimulam as defesas locais, tratamentos injectados na lesão, laser e raspagem.

Posso cortar, queimar ou espremer a verruga em casa?

Não. Manipular uma verruga com material não esterilizado espalha o vírus à volta — é assim que aparecem várias onde havia uma —, pode infectar e raramente resolve. Nas unhas, há risco real de deformar a unha de forma permanente. Limar de leve a superfície antes de aplicar o ácido é diferente: esse gesto é correcto.

Posso ir à piscina com uma verruga plantar?

Pode, com cuidados: chinelos em toda a zona comum, verruga tapada com penso impermeável durante o banho, e secar bem o pé ao sair. O ideal é tratar até resolver, tanto pelo seu pé como pelos outros utilizadores.

Apareceu-me uma verruga em adulto — devo preocupar-me?

Merece ser vista, sobretudo se é única, se surgiu numa zona apanhada pelo sol (cara, dorso das mãos, antebraços) e se cresce, sangra, abriu uma ferida ou tem cores diferentes dentro dela. Nos adultos, algumas lesões que parecem verrugas são outra coisa — incluindo cancro da pele — e a diferença faz-se na consulta. Não é motivo para pânico; é motivo para não deixar arrastar.

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