Melasma: 3 Padrões, Tranexâmico, Cysteamina e Laser Toning

Apareceram manchas acastanhadas no rosto — na testa, nas maçãs do rosto, por cima do lábio. Não fazem comichão, não doem, não descamam. Mas são simétricas, dos dois lados da cara, com contornos irregulares, como um mapa. E notou que começaram na gravidez, ou depois de começar a pílula. E que no Verão ficam muito mais escuras.
Quando é assim, é quase sempre melasma — as manchas castanhas do rosto ligadas às hormonas e ao sol. É a mesma coisa a que se chama popularmente “máscara da gravidez” ou “manchas da gravidez” (o nome médico dessa forma é cloasma). Afecta sobretudo mulheres: cerca de nove em cada dez casos.
Três coisas primeiro, porque são as que mais falta fazem e que a maioria dos sites só diz ao fim de dez parágrafos:
- Não é perigoso. Não é cancro, não se transforma em cancro e não faz mal ao resto do corpo. O que pesa no melasma é o impacto no espelho.
- Não tem cura — tem controlo. Trata-se, clareia, mas a tendência de fundo fica. Quem prometer “eliminar de vez” está a vender uma coisa que não existe.
- A protecção solar não é um complemento do tratamento. É o tratamento. Sem ela, nada do resto resulta — e tudo volta.
Índice
O que é o melasmaPorque aparece: hormonas, sol e predisposiçãoNão é só o ultravioleta: a luz visível também contaSerá mesmo melasma? Outras manchas do rostoComo o médico avalia — e porque a profundidade importaA expectativa certa: controla-se, não se curaA protecção solar é o tratamentoO que existe para clarearO creme de que se fala lá fora — e a situação em PortugalMelasma na gravidez e com a pílulaComo evitar que volteQuando consultarPerguntas FrequentesO que é o melasma
A cor da pele vem de um pigmento — a melanina — fabricado por células chamadas melanócitos.
No melasma, essas células não são mais numerosas: são mais activas. Produzem pigmento a mais e entregam-no em excesso às células vizinhas da superfície. O resultado são manchas castanhas que se instalam exactamente nas zonas onde a luz bate mais.
Como se reconhece:
- Manchas castanho-claras a castanho-escuras, planas, sem relevo e sem descamação
- Simétricas — o mesmo desenho dos dois lados da cara
- Contornos irregulares e esbatidos, em mapa, e não redondos e bem definidos
- Localização típica: testa, maçãs do rosto, dorso do nariz, buço e queixo
- Escurecem no Verão e atenuam no Inverno
- Não fazem comichão, não ardem, não incomodam fisicamente
Aparece com mais frequência em peles de tom médio a mais escuro — ver fototipo — e o pico é na idade em que as hormonas mais mexem, entre os trinta e os cinquenta e poucos anos. Mais raramente pode surgir fora da cara, nos antebraços ou no decote.
Porque aparece: hormonas, sol e predisposição
Não há uma causa única. Há três coisas que se somam, e é preciso que estejam as três.
1. As hormonas femininas. O estrogénio e a progesterona empurram os melanócitos a produzir mais pigmento. Daí os gatilhos clássicos: a gravidez (mais de metade das grávidas nota alguma pigmentação nova), a pílula e outros contraceptivos hormonais, e a terapêutica hormonal na menopausa. É também a razão pela qual isto é, de longe, mais frequente em mulheres.
2. O sol. É o combustível. A radiação ultravioleta activa directamente a maquinaria que fabrica pigmento — e não é preciso praia nem bronzeamento. A exposição do dia-a-dia chega: ir a pé até ao carro, estar sentada à janela, apanhar o sol de lado numa esplanada. É por isso que o melasma piora todos os Verões e melhora todos os Invernos, mesmo em quem nunca vai à praia.
3. A predisposição. Uma boa parte das pessoas com melasma tem alguém na família com o mesmo problema. Não se escolhe, e não é culpa de ninguém.
Há ainda três factores que se esquecem com frequência e que fazem diferença real:
- O calor. O calor sozinho, sem sol, também estimula a pigmentação — o forno da cozinha, o secador, saunas, trabalho junto a fontes de calor.
- A luz visível, a que se vê, e não apenas o ultravioleta (secção seguinte).
- Alguns cosméticos perfumados e medicamentos que aumentam a sensibilidade ao sol — vale a pena rever a lista com o médico se o melasma apareceu do nada.
Não é só o ultravioleta: a luz visível também conta
Este é o ponto que muda tudo na prática e que quase ninguém explica.
Os protectores solares transparentes clássicos foram feitos para travar ultravioleta. Mas a pele com tendência a melasma também reage à luz visível — a luz normal, a que se vê, que passa por uma janela num dia de nuvens e a que nenhum filtro transparente trava. E a pigmentação que a luz visível provoca tende a ser mais persistente e mais difícil de clarear do que a do ultravioleta.
A consequência é directa: no melasma, o protector solar tem de ter cor. São os pigmentos minerais (os chamados óxidos de ferro) que fazem de barreira à luz visível, e é por isso que os protectores com tom deixaram de ser uma questão estética para passar a ser uma exigência clínica nesta doença.
O tema, com o detalhe todo, está em luz visível e pele.
Será mesmo melasma? Outras manchas do rosto
Nem toda a mancha castanha do rosto é melasma, e a distinção muda o tratamento:
- Manchas senis, ou lentigos solares — castanhas mas redondas e bem delimitadas, uma a uma, sobretudo depois dos cinquenta, nas mãos, no decote e na testa.
- Sardas — pequenas, muitas, agrupadas, em peles claras, e escurecem com o sol desde a infância.
- Marcas deixadas por borbulhas ou inflamação — a mancha fica onde esteve a lesão, não é simétrica. É frequente depois de acne; ver hiperpigmentação.
- Manchas por reacção a cosméticos perfumados — padrão em rede, acastanhado-acinzentado, muitas vezes no pescoço.
- Manchas azul-acinzentadas nas maçãs do rosto, que aparecem na adolescência ou depois — são outra entidade e não respondem ao tratamento do melasma.
O panorama completo das manchas castanhas está em manchas castanhas na pele. Se há dúvida, a observação médica resolve-a depressa — e vale a pena resolvê-la antes de começar a tratar, porque tratar a mancha errada pode escurecê-la.
Como o médico avalia — e porque a profundidade importa
O diagnóstico do melasma faz-se a olho. Mas há duas coisas simples que a consulta acrescenta e que mudam o que é realista esperar.
- A luz de Wood — uma lâmpada de luz ultravioleta, popularmente “luz negra”, usada num quarto às escuras. É indolor e demora segundos.
- A dermatoscopia — a observação com uma lupa iluminada, que mostra o desenho do pigmento e se há vasos finos associados.
O que estas duas coisas procuram é a que profundidade está o pigmento, e essa é a informação mais honesta que se pode dar a quem vai começar um tratamento:
| Onde está o pigmento | O que se vê | O que esperar do tratamento |
|---|---|---|
| Superficial | O contraste da mancha aumenta com a luz de Wood | É o que melhor clareia |
| Profundo | O contraste não aumenta | Clareia pouco; o realismo é obrigatório |
| Misto | Umas zonas acentuam, outras não | É o mais comum na prática — melhoria parcial |
Traduzindo: duas pessoas com manchas de aspecto igual podem ter resultados muito diferentes, e isso é decidido antes de se começar. Saber de antemão em que grupo está evita meses de frustração e de dinheiro gasto à espera de um resultado que aquela pele não vai dar.
A expectativa certa: controla-se, não se cura
Esta secção é a mais importante do artigo, e é a que falta em quase todo o lado.
O melasma é crónico e recidivante. Isto quer dizer, sem rodeios:
- Não se cura. Não existe tratamento que apague a tendência de fundo. Existe tratamento que clareia e existe manutenção que segura o resultado.
- É lento. Fala-se em meses, não em semanas. As primeiras mudanças reais costumam demorar mais de um mês a serem visíveis, e o resultado do primeiro esquema só se julga bastante mais tarde. Desistir cedo é a causa número um de “não resultou comigo”.
- Volta. Uma parte significativa das pessoas vê as manchas regressar depois de um Verão, de férias ou de uma gravidez seguinte — mesmo tendo feito tudo bem. Isto não é falha do tratamento nem falha sua: é a natureza da doença.
- O objectivo é o controlo. Uma mancha bastante mais clara, estável, que não domina o rosto. Não é a pele que tinha aos vinte anos.
Duas consequências práticas. A primeira: o tratamento não acaba — passa a manutenção, mais leve, mas contínua. A segunda: paciência não é um conselho simpático, é parte do tratamento. Quem entra com a expectativa certa fica satisfeito com resultados que fariam outra pessoa desistir.
A protecção solar é o tratamento
Se retirar uma única coisa deste artigo, retire esta: no melasma, a fotoprotecção não é o complemento do tratamento. É o tratamento. É a única medida com efeito comprovado quer no aparecimento quer na recaída, e sem ela todo o resto — cremes, peelings, laser — é dinheiro deitado fora.
O que isto significa em concreto:
- Protector solar de índice muito elevado, com cor, todos os dias do ano. Com cor porque os transparentes não travam a luz visível.
- Todos os dias inclui o Inverno, os dias de chuva e os dias em que não sai de casa. A luz da janela conta.
- Reaplicar ao longo do dia sempre que estiver na rua. Uma aplicação de manhã não cobre o dia.
- Quantidade suficiente — a maioria das pessoas põe muito menos do que precisa, e meio protector protege muito menos de metade.
- Chapéu de aba larga e sombra, que protegem melhor do que qualquer creme.
- O vidro do carro deixa passar radiação — quem conduz muito tem frequentemente o melasma pior do lado do condutor.
- Fugir do calor directo também: forno, secador, sauna.
As regras gerais estão em fotoprotecção completa, e o que acontece quando falham em queimadura solar — qualquer escaldão agrava marcadamente um melasma.
O que existe para clarear
Nenhum destes produtos funciona sozinho, e nenhum funciona sem a protecção solar da secção anterior. A escolha, a ordem e a duração são decisão médica: a mesma mancha em duas pessoas diferentes não se trata da mesma maneira.
| Abordagem | O que faz | Notas importantes |
|---|---|---|
| Cremes despigmentantes clássicos | Travam a enzima que fabrica o pigmento | A hidroquinona é o mais estudado e existe em Portugal, em gel. Não se compra sem receita e usa-se por períodos limitados, com pausas |
| Cremes com um derivado da vitamina A | Aceleram a renovação da pele e ajudam os outros a penetrar | Irritam no início; não se usam na gravidez. Ver retinol e a pele |
| Ácido azelaico | Trava o pigmento e acalma a inflamação | Existe em Portugal, em creme. É bem tolerado e costuma ser a via considerada quando os anteriores estão fora de questão |
| Activos cosméticos | Reforçam e mantêm o resultado | Niacinamida, vitamina C, ácido kójico, arbutina. Efeito modesto sozinhos, úteis em conjunto e na manutenção |
| Ácido tranexâmico | Actua também sobre a componente inflamatória e vascular da mancha | Ver a nota logo a seguir — é o ponto que mais confusão gera |
| Peelings químicos | Removem de forma controlada a camada mais superficial | Adjuvantes, nunca tratamento isolado. Em peles mais escuras, mal feitos, escurecem em vez de clarear |
| Laser e luz | Fragmentam o pigmento já formado | Segunda ou terceira linha, e podem piorar. Nunca em melasma activo. Ver mais abaixo |
Uma advertência de segurança que vale por si só: os cremes despigmentantes clássicos não se usam durante meses a fio sem parar. O uso prolongado e sem vigilância pode provocar o efeito contrário — a pele escurece, com um tom azul-acinzentado, e essa alteração é difícil de tratar e por vezes definitiva. É a razão pela qual isto se faz com receita e com revisão médica, e não com um frasco que alguém trouxe de fora ou comprou pela internet.
Sobre o ácido tranexâmico, porque é o nome que mais aparece agora: é um medicamento antigo, criado para controlar hemorragias, que se percebeu ter efeito sobre o melasma. Existe em Portugal, incluindo em comprimido. Mas há aqui uma distinção que tem de ficar clara: não está aprovado para o melasma. A sua utilização nesta doença é o que se chama uso fora da indicação aprovada — uma decisão médica individual, caso a caso, que exige avaliar antecedentes de trombose e outros factores de risco, e que não é para toda a gente. Não é um comprimido para clarear a pele que se peça na farmácia.
Sobre o laser, porque é o que mais gente procura primeiro: o melasma é das poucas manchas em que o laser pode agravar. Feito na altura errada, com o equipamento errado ou com energia a mais, provoca uma recaída pior do que o ponto de partida. Quando se usa, é depois de a doença estar estável, com preparação da pele antes e depois, e por quem tem experiência nisto. A luz intensa pulsada, muito usada para outras manchas, é particularmente arriscada no melasma activo.
O creme de que se fala lá fora — e a situação em Portugal
Vale a pena tratar isto com clareza, porque é uma das perguntas mais frequentes em consulta e uma das maiores fontes de frustração.
Se procurar melasma em inglês, ou em sites brasileiros, vai encontrar a cisteamina referida como uma das opções tópicas modernas — apresentada como alternativa aos despigmentantes clássicos, sem o risco de escurecimento paradoxal e com boa tolerância a longo prazo.
A informação importante é esta: a cisteamina não está disponível em Portugal. Uma pesquisa na base de dados de medicamentos do INFARMED não devolve qualquer registo. Não existe cá em farmácia, e não há aqui um equivalente directo que se possa usar em substituição.
Menciono-a porque a vai encontrar de certeza — e porque saber isto antes evita o percurso habitual: ler, entusiasmar-se, pedir na farmácia, não existir, e acabar a comprar por um site estrangeiro um produto sem garantia de origem nem de conservação. As opções realmente disponíveis em Portugal são as da tabela da secção anterior, e são suficientes para tratar bem a grande maioria dos casos.
Melasma na gravidez e com a pílula
A “máscara da gravidez” é a forma mais conhecida do melasma, e a que traz mais gente à consulta.
Durante a gravidez, a abordagem é sobretudo preventiva: protecção solar rigorosa, com cor, todos os dias, desde o início. A maioria dos tratamentos activos — os derivados da vitamina A, os despigmentantes clássicos, o tratamento por via oral, os peelings mais profundos e o laser — não se usa na gravidez nem na amamentação. Sobram as medidas suaves, e essa escolha é do médico que a acompanha, não de uma lista da internet.
Depois do parto, as manchas atenuam em muitas mulheres nos meses seguintes, sem tratamento nenhum. Mas nem sempre: uma parte fica com o melasma instalado, e é aí que faz sentido tratar a sério — depois de terminada a amamentação.
Sobre a pílula e outros contraceptivos hormonais: podem desencadear ou agravar o melasma. Se já teve manchas na gravidez, ou se apareceram depois de começar um contraceptivo, vale a pena falar com o ginecologista sobre as alternativas. Duas notas honestas: parar o contraceptivo não faz a mancha já instalada desaparecer, mas costuma torná-la mais fácil de tratar; e nenhuma decisão sobre contracepção deve ser tomada por causa de uma mancha sem falar com quem a prescreveu.
Como evitar que volte
Depois de clarear, o trabalho muda de natureza — não acaba.
- Protecção solar com cor, todos os dias, para sempre. Este é o ponto que separa quem mantém o resultado de quem o perde.
- Manter um activo suave de manutenção, escolhido com o médico, em vez de parar tudo de repente.
- Retomar o tratamento aos primeiros sinais, quando a mancha ainda está esboçada — e não meses depois, já instalada.
- Reforçar em Maio, não em Agosto. A vigilância máxima é na Primavera e no Verão; o Inverno é o período em que se ganha terreno.
- Antecipar os momentos de risco: férias, uma gravidez seguinte, a reintrodução de um contraceptivo hormonal, o Verão de quem trabalha ao ar livre.
- Não fazer procedimentos agressivos com a doença activa — é a receita para uma recaída pior.
Quando consultar
Vale a pena procurar avaliação dermatológica se:
- Apareceram manchas castanhas simétricas no rosto, sobretudo na gravidez, depois do parto ou após começar um contraceptivo
- Já usou produtos de venda livre durante meses sem qualquer resultado
- Tem dúvidas se é melasma ou outro tipo de mancha — a distinção muda o tratamento
- As manchas ficaram mais escuras ou azuladas depois de um creme clareador usado durante muito tempo
- Está a ponderar laser ou peeling e quer saber se a sua pele é candidata (ou se seria um erro)
- Planeia engravidar e quer prevenir antes de acontecer
- O impacto no seu dia-a-dia está a pesar — isto é motivo suficiente para consultar
Na MyDermaCare, poderá realizar uma consulta de dermatologia online para avaliação e plano de tratamento, com resposta médica em até 24 horas úteis.
Perguntas Frequentes
O melasma tem cura?
Não. É uma doença crónica: trata-se e controla-se, mas a tendência de fundo mantém-se. O objectivo realista é clarear bastante e depois segurar o resultado com manutenção e protecção solar. Quem lhe prometer eliminar de vez está a prometer o que não existe.
As manchas da gravidez desaparecem depois do parto?
Em muitas mulheres atenuam bastante nos meses seguintes, sem tratamento nenhum. Mas nem sempre — numa parte dos casos o melasma fica instalado. Vale a pena esperar algum tempo antes de decidir tratar a sério, e proteger do sol entretanto, porque é isso que decide se melhora ou se agrava.
A pílula pode causar melasma?
Pode desencadear ou agravar, sim. Se as manchas apareceram depois de começar um contraceptivo hormonal, ou se já tinha tido “máscara da gravidez”, é assunto para conversar com o ginecologista. Parar não apaga a mancha já feita, mas costuma tornar o tratamento mais fácil — e essa decisão nunca deve ser tomada sozinha.
Posso tratar o melasma grávida?
A maior parte dos tratamentos está fora de questão na gravidez e na amamentação. O que se faz nessa fase é sobretudo prevenir: protecção solar rigorosa e com cor, todos os dias. Há medidas suaves possíveis, mas quem as define é o médico que a acompanha.
O protector solar sozinho chega?
Sozinho não cura, mas sem ele nada resulta. E há uma condição: tem de ter cor. Os protectores transparentes travam o ultravioleta mas não travam a luz visível, que no melasma é um estímulo importante. Um protector transparente de índice muito alto é insuficiente aqui.
Li sobre um creme de cisteamina — existe em Portugal?
Não. A cisteamina aparece com frequência em conteúdo estrangeiro e brasileiro, mas não tem registo em Portugal e não se encontra cá. Não é uma opção de tratamento no nosso contexto. As alternativas disponíveis em Portugal tratam bem a maioria dos casos.
O ácido tranexâmico em comprimido serve para o melasma?
O medicamento existe em Portugal, mas não está aprovado para o melasma — o seu uso nesta doença é fora da indicação registada e é uma decisão médica individual. Exige avaliar antecedentes de trombose e outros riscos, e não é adequado a toda a gente. Não é algo que se peça na farmácia para clarear a pele.
O laser resolve?
Raramente é a resposta, e pode piorar. O melasma é das poucas manchas em que o laser mal indicado provoca uma recaída pior do que o ponto de partida. Quando se usa, é como apoio depois de a doença estar estável e nunca como primeiro passo — e nunca sem protecção solar rigorosa antes e depois.
Quanto tempo demora a ver resultados?
Meses, não semanas. As primeiras mudanças reais raramente são visíveis antes de um mês e o resultado do esquema inicial só se julga bastante mais tarde. Desistir cedo é a causa mais comum de insucesso — e desistir a meio é desistir antes de saber se estava a resultar.
Volta sempre depois do Verão?
Volta com muita frequência, mesmo em quem fez tudo bem. Não é falha do tratamento nem falha sua: é como esta doença funciona. Por isso a manutenção não tem data de fim, e por isso se reforça a protecção na Primavera em vez de se reagir em Setembro.
O calor piora mesmo, sem sol?
Sim. O calor por si só estimula a produção de pigmento — cozinhar junto ao forno, o secador de cabelo muito perto do rosto, saunas, trabalhar ao pé de fontes de calor. É um factor real e frequentemente ignorado por quem já está a fazer tudo o resto bem.
Posso usar maquilhagem por cima?
Pode, e é uma boa solução enquanto o tratamento faz efeito. A maquilhagem com cobertura não interfere com os cremes nem agrava as manchas — e uma base com pigmento acrescenta até alguma barreira à luz. O que não pode é substituir o protector solar.