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7 de junho de 2026  ·  Dermatologia

Olheiras: Tipos, Como Tirar e o Que Resulta em Cada Uma

olheiras escuras zona dos olhos

As olheiras são uma das queixas mais frequentes em consulta — e uma das que mais dinheiro faz gastar sem retorno. O motivo é quase sempre o mesmo: tratam-se com o primeiro creme que aparece, ou com um procedimento sem diagnóstico, e o resultado é nulo ou pior.

A primeira coisa a perceber é que “olheira” não é uma coisa só. Há pelo menos quatro tipos, com causas e aspecto diferentes — e o que resulta num não resulta noutro. Tratar uma olheira de sombra com creme clareador, ou uma olheira de pigmento com preenchimento, é deitar tempo e dinheiro fora. Por isso, antes de qualquer tratamento, o passo que muda tudo é saber que tipo de olheira tem.

Este guia explica como reconhecer cada tipo, o que tem evidência em cada um, o que os cremes fazem e não fazem, os riscos a conhecer (em especial no preenchimento) e quando a olheira é sono e quando é estrutura.

Índice

O que são as olheirasOs 4 tipos de olheirasDescobrir o tipo: o teste do espelhoSono ou estrutura?O que as causaMedidas em casa: a base para todasOlheira pigmentar: o que resultaOlheira vascular: o que resultaOlheira estrutural: o que resultaCremes “anti-olheiras”: o que tem evidênciaRiscos do preenchimentoMaquilhagem para disfarçarMitos sobre olheirasQuando consultarPerguntas Frequentes

O que são as olheiras

Olheiras são alterações de cor, textura ou volume na zona por baixo dos olhos, que fazem essa área parecer mais escura, mais azulada ou mais sombreada do que a pele à volta. Ao contrário do que se pensa, na maioria dos casos não são um simples “depósito” de pigmento — são a soma de vários factores.

A pele por baixo dos olhos é a mais fina do corpo, e isso tem consequências: os vasos por baixo transparecem com facilidade (dando tons azulados), pequenas quantidades de pigmento destacam-se mais, e a perda de volume com a idade cria sombras. Falar de “olheiras” sem precisar o tipo é tão vago como falar de “manchas”.

Os 4 tipos de olheiras

TipoAspectoCausa principalO que costuma resultar
PigmentarCastanhoExcesso de melanina na peleCremes clareadores, protector solar, laser de pigmento
VascularAzulada, violácea, rosadaVasos que transparecem, congestão, inchaçoLaser vascular, retinol, tratar a alergia
EstruturalSombra escura, sem cor própriaPerda de volume e “sulco” por baixo do olhoPreenchimento, bioestimuladores, cirurgia
MistaCombinação das anterioresVários factores ao mesmo tempoCombinação de estratégias

Pigmentar. Excesso de pigmento na pele por baixo do olho. Mais frequente em tons de pele mais escuros e com forte componente familiar. Agrava com sol, fricção e inflamação repetida (hiperpigmentação pós-inflamatória).

Vascular. Tom azulado ou violáceo, dos vasos que transparecem através da pele fina. Acentua-se com inchaço matinal, alergia, rinite e cansaço. Muitas vezes há telangiectasias (vasinhos visíveis) à volta.

Estrutural. A cor da pele pode até ser normal, mas a zona parece escura por causa de uma sombra — criada pelo sulco entre a pálpebra e a bochecha, que se acentua com a perda de volume da idade. Nota-se mais com luz vinda de cima.

Mista. É, na prática, a mais comum, sobretudo a partir dos quarenta. Tem componentes das anteriores em proporções variáveis — e por isso o tratamento também é combinado.

Descobrir o tipo: o teste do espelho

Na maioria dos casos, dá para ter uma boa ideia em frente ao espelho, com dois testes simples.

Teste de estiramento. Estique suavemente a pele por baixo do olho, para baixo:

  • A cor não muda → provavelmente pigmentar (o pigmento está fixo na pele).
  • A cor clareia ou desaparece → provavelmente vascular (os vasos foram afastados).
  • A sombra desaparece e a pele por baixo tem cor normal, mas volta a “afundar” quando solta → provavelmente estrutural (é relevo, não cor).

Teste da luz. Olhe-se com luz de frente e depois com luz vinda de cima. A olheira estrutural piora muito com a luz de cima, porque é sombra. A pigmentar e a vascular mantêm-se parecidas.

Em caso de dúvida — e sobretudo antes de qualquer procedimento — a avaliação é feita em consulta, onde se pode confirmar a profundidade do pigmento.

Sono ou estrutura?

É a pergunta prática que mais confunde. A resposta simples:

  • Se a olheira muda com o descanso — está pior nas manhãs após má noite, melhora quando dorme bem, acompanha-se de inchaço — a componente é sobretudo vascular e de congestão. Dormir melhor, reduzir o sal e compressas frias ajudam mesmo.
  • Se a olheira é igual todos os dias, independentemente do sono, e piora com luz de cima, é sobretudo estrutural (sombra de relevo) ou pigmentar (cor fixa). Nestes casos, dormir mais não resolve — é necessário, mas não suficiente.

Muita gente frustra-se por “dormir bem e continuar com olheiras”. Quase sempre é porque a componente dominante não é a do sono.

O que as causa

Raramente há uma só causa. As mais relevantes:

Genética. É talvez o factor mais forte. Há famílias com pele clara e fina (mais olheira vascular), famílias de tons mais escuros (mais pigmento), e famílias com o sulco por baixo do olho marcado desde novos.

Idade. A partir dos trinta-quarenta há perda de volume e o sulco acentua-se. A componente estrutural ganha peso.

Sono e cansaço. A falta de sono altera a circulação da pele e favorece a congestão e o inchaço matinal — acentuando a componente vascular.

Alergia e fricção. Rinite, conjuntivite alérgica e pele atópica levam a coçar e esfregar os olhos, o que deposita pigmento com o tempo. Tratar a alergia é tratar a olheira. A comichão crónica entra na mesma lógica.

Sol. A pele por baixo dos olhos é muitas vezes esquecida na fotoprotecção, e a exposição acentua o pigmento.

Tabaco. Reduz a circulação da pele e acelera o envelhecimento da zona.

Outras causas médicas. Anemia, problemas de tiróide ou de circulação podem contribuir para olheiras vasculares ou com inchaço. Quando o quadro é geral, a avaliação também tem de ser.

Medidas em casa: a base para todas

Seja qual for o tipo, há um conjunto de cuidados que são a base — e que sozinhos já melhoram olheiras ligeiras, sobretudo vasculares:

  • Dormir bem. Sete a oito horas, com horários estáveis, fazem mais diferença visível do que muitos produtos.
  • Fotoprotecção. Protector solar que cubra também a zona dos olhos, todos os dias, e óculos escuros. É das medidas mais eficazes para travar o agravamento da olheira pigmentar. Veja fotoprotecção completa.
  • Reduzir a fricção. Não coçar nem esfregar. A regra é “tocar, não friccionar”.
  • Tratar a alergia. Em quem esfrega os olhos por prurido alérgico, clarear com cremes é tempo perdido enquanto a causa se mantém.
  • Deixar o tabaco. Os ganhos são visíveis a médio prazo.
  • Corrigir défices. Avaliar e corrigir falta de ferro ou de vitaminas quando indicado.

Mantidos ao longo de alguns meses, estes cuidados melhoram visivelmente parte das olheiras e potenciam qualquer tratamento específico.

Olheira pigmentar: o que resulta

Trata-se como as outras manchas da pele, com cuidado extra pela fragilidade da zona.

  • Cremes clareadores. A base do tratamento. Há despigmentantes de prescrição, usados sob orientação médica, e activos mais suaves de uso geral — niacinamida, ácido azelaico, arbutina, ácido kójico — úteis e bem tolerados na zona.
  • Vitamina C. Antioxidante que ajuda a uniformizar o tom e trabalha em conjunto com os clareadores. Ver vitamina C na pele.
  • Retinol. Ajuda a clarear o pigmento e a espessar a pele fina, com introdução gradual pela sensibilidade da zona.
  • Peelings suaves e laser de pigmento. Para casos mais resistentes, em consulta, com técnica cuidadosa — sobretudo em tons de pele mais escuros, onde há risco de a pigmentação piorar se for mal feito.

Quando há melasma associado, a abordagem tem de ser combinada e paciente. O resultado realista é uma melhoria parcial ao longo de meses, com protector solar rigoroso a segurar o ganho.

Olheira vascular: o que resulta

O objectivo é reduzir a visibilidade dos vasos e espessar a pele.

  • Laser vascular. É a opção com mais evidência: age sobre os vasos e a vermelhidão, em sessões espaçadas com alguma manutenção ao longo do tempo.
  • Retinol. Espessa a pele com o uso continuado, tornando os vasos por baixo menos visíveis.
  • Cafeína e vitamina K em creme. Ajudam sobretudo no inchaço e na congestão — efeito real, mas modesto e passageiro.
  • Tratar as causas. Controlar a rinite e a alergia, dormir melhor, reduzir o sal e deixar o tabaco reduzem a congestão que alimenta este tipo.

O resultado costuma ser bom em casos bem escolhidos, ao longo de meses, com o laser vascular como a opção mais eficaz do grupo.

Olheira estrutural: o que resulta

Aqui a causa não é cor, é sombra de relevo — por isso não responde a cremes clareadores nem a laser de pigmento. A abordagem é de volume e/ou cirúrgica.

  • Preenchimento com ácido hialurónico. É o tratamento mais frequente e o de resultado mais imediato: repõe o volume no sulco por baixo do olho, atenuando a sombra. Exige técnica específica e mãos experientes (ver riscos abaixo). O efeito dura meses e depois reabsorve-se.
  • Bioestimuladores. Estimulam a produção de colagénio na zona da bochecha, reforçando a base de suporte — muitas vezes em complemento ao preenchimento.
  • Cirurgia da pálpebra (blefaroplastia). Para casos com bolsas marcadas ou excesso de pele, redistribui ou remove a gordura da pálpebra. Resultado duradouro, com cirurgião de formação específica.
  • Tecnologias de firmeza. Radiofrequência e ultrassons focados podem melhorar o relevo da bochecha, com ganhos modestos sobre o sulco em si.

Nenhum destes é “primeiro passo”: a olheira estrutural trata-se depois de excluir as componentes pigmentar e vascular.

Cremes “anti-olheiras”: o que tem evidência

A oferta é enorme e a maioria promete mais do que cumpre. O que distingue um creme com fundamento:

Costuma ter algum efeito: niacinamida, vitamina C estabilizada, ácido tranexâmico, cafeína, retinol, péptidos, vitamina K — e, sob orientação médica, os despigmentantes de prescrição.

Costuma não ter: cremes “milagrosos” que prometem resultado em poucos dias; aplicadores metálicos que “drenam” (efeito mecânico passageiro); “ouro coloidal” e “extractos exóticos” sem mecanismo; suplementos vendidos como “específicos para olheiras”.

Dois avisos práticos. Primeiro: nenhum creme actua sobre a componente estrutural — aí, só procedimentos. Segundo: um creme activo demora semanas a fazer diferença — quem desiste ao fim de duas semanas não deu tempo ao produto.

Riscos do preenchimento

O preenchimento da zona por baixo do olho é dos procedimentos com maior potencial estético — mas também dos que mais complicações dão em mãos inexperientes. Esta é a zona que menos perdoa erros, e por isso exige rigor anatómico, produto adequado e formação específica.

Complicações mais comuns:

  • Inchaço persistente. O ácido hialurónico retém água, e nesta zona pode dar um aspecto inchado prolongado. É corrigível, mas exige critério.
  • Tom azulado. Produto colocado muito à superfície, sob pele fina, pode dar uma tonalidade azul-acinzentada.
  • Irregularidades e nódulos. Mais frequentes quando o produto é mal escolhido ou mal colocado.
  • Equimoses (pisaduras). Habituais e passageiras em qualquer injecção na zona.

A complicação grave a conhecer:

  • Oclusão de um vaso, com risco de perda de visão. É raríssima, mas está descrita: se o produto é injectado, por acidente, dentro de uma artéria que comunica com a circulação do olho, pode causar perda visual. É por isto que a escolha de um médico com formação específica, a técnica cuidadosa e o produto certo não são detalhe — são o que separa um bom resultado de uma catástrofe.

Se surgir dor súbita e intensa, alteração da visão, palidez da pele ou dor de cabeça forte durante ou após o procedimento, deve recorrer de imediato a urgência médica. O reconhecimento precoce é essencial.

A decisão de fazer preenchimento por baixo dos olhos deve ser ponderada em consulta presencial, com avaliação da anatomia e das expectativas. Não é o primeiro passo no tratamento de olheiras — é uma opção entre várias, e nem todos são bons candidatos.

Maquilhagem para disfarçar

Bem aplicada, a maquilhagem neutraliza a olheira em minutos, enquanto se aguarda o resultado dos tratamentos. O princípio é usar a cor oposta:

  • Olheira castanha (pigmentar) — corrector de base pêssego ou alaranjada, conforme o tom de pele.
  • Olheira azulada (vascular) — corrector de base laranja/coral, que cancela o azul.
  • Olheira de sombra (estrutural) — a mais difícil de esconder, por ser relevo; um iluminador na zona do sulco ajuda a suavizar a sombra.

Aplicar em camada fina, sobre pele hidratada, e fixar com um pó leve. A maquilhagem é uma solução cosmética — não trata, mas é uma ferramenta útil no dia a dia.

Mitos sobre olheiras

“Olheiras são do fígado.” Não. Salvo em doença hepática grave, com outros sinais evidentes, as olheiras não são “sinal de fígado”. Chás “depurativos” não as tratam.

“Beber muita água elimina olheiras.” Manter-se hidratado ajuda; litros a mais não fazem desaparecer olheiras de pigmento ou de estrutura.

“São falta de ferro.” A anemia pode contribuir, mas a maioria das pessoas com olheiras tem análises normais. Suplementar ferro sem défice não trata olheiras.

“Dormir bem resolve tudo.” Ajuda na componente vascular, não corrige pigmento nem sombra de estrutura.

“Quando se começa o preenchimento, é para a vida.” Não. O ácido hialurónico reabsorve-se; quem deixa de fazer vê o produto desaparecer ao longo de meses.

“Remédios caseiros valem como tratamento.” Pepino, batata crua e sumo de limão não têm evidência — e o limão, em particular, pode manchar a pele ao sol.

Quando consultar

A consulta é o ponto-chave para o diagnóstico e um plano realista. Vale a pena considerá-la quando:

  • As olheiras incomodam e não melhoram com cuidados gerais ao longo de alguns meses
  • Há dúvida sobre o tipo (pigmentar, vascular, estrutural ou misto)
  • Antes de qualquer procedimento (laser, preenchimento, peeling, cirurgia)
  • Surgem de forma súbita, num adulto, sem causa aparente
  • São muito assimétricas (uma bem mais marcada que a outra)
  • Vêm com inchaço persistente, queixas nos olhos ou alterações da visão
  • hiperpigmentação ou melasma no rosto, que partilham mecanismo

Na MyDermaCare pode fazer uma consulta de dermatologia online: responde a um questionário médico, envia fotografias (de preferência com luz natural, sem flash) e recebe em até 24 horas úteis um relatório dermatológico com um plano para o tipo de olheira que tem.

Perguntas Frequentes

Como sei que tipo de olheira tenho?

Com dois testes ao espelho. Estique suavemente a pele por baixo do olho: se a cor não muda, é provavelmente pigmentar; se clareia, é vascular; se é sombra que “afunda”, é estrutural. E confirme com a luz: a olheira estrutural piora muito com luz vinda de cima. Em caso de dúvida, e antes de procedimentos, confirma-se em consulta.

Dormir mais resolve as olheiras?

Ajuda, mas não resolve tudo. Se a olheira muda com o descanso e vem com inchaço, o sono faz diferença real. Se é igual todos os dias e piora com luz de cima, é sobretudo pigmento ou estrutura — e aí dormir mais é necessário, mas não chega.

O preenchimento por baixo dos olhos vale a pena?

Em candidatos bem escolhidos — olheira de sombra por perda de volume, sem inchaço crónico — pode dar resultados naturais e imediatos. Em candidatos mal escolhidos, o risco é alto. A diferença está na avaliação prévia e na experiência de quem executa. Nunca é o primeiro passo: pondera-se depois de excluir as componentes de pigmento e vascular.

Quanto tempo até os cremes fazerem efeito?

Os cremes activos costumam demorar semanas a mostrar diferença, com uso diário. Resultados prometidos em poucos dias referem-se, quase sempre, a hidratação e textura — não a pigmento ou estrutura.

A cafeína em creme funciona?

Ajuda no inchaço e na congestão matinal, com efeito passageiro. Compressas frias têm efeito parecido, sobretudo pelo frio. É um truque útil, não um tratamento das causas de fundo.

As olheiras são sinal de doença?

Na grande maioria dos casos, não. Há causas internas a considerar — anemia, tiróide, circulação, alergia — quando surgem de repente ou vêm com outros sintomas. Num adulto saudável, olheiras isoladas raramente significam doença.

Dá para tirar as olheiras de vez?

“De vez” é palavra a evitar. Pode reduzir-se muito e manter-se com cuidados e tratamentos pontuais, mas o envelhecimento e a genética continuam. Mais realista do que uma “solução final” é um resultado mantido com cuidados de base e retoques de manutenção.

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